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for the people?
rosas
innersmile
Pus este texto como um comentário a um post do João ‘Pinguim’, no blog dele (link). Mas como é para malhar no governo, decidi passá-lo para aqui, quase sem alterações ou correcções.


Sabes o que eu acho? É que um número muito grande de pessoas votou no PSD ou no PP só para votar contra o Sócrates, porque tinham aquele ódio um pouco histérico ao Sócrates. E agora até têm vergonha de refilar contra o governo porque sabem que são responsáveis por este desaire e pela desgraça em que estamos metidos. E por isso está tudo caladinho, uns com medo outros com vergonha.

O que mais me choca neste governo nem são as medidas de austeridade em si (e que no meu caso pessoal têm sido bem gravosas: já me tiraram perto de 25% do meu rendimento do trabalho, repito: exclusivamente do trabalho!), mas sim o facto de elas serem apresentadas sempre com a justificação de que nós, o povo, os trabalhadores, somos malandros, preguiçosos, vivemos acima das nossas possibilidades, somos endividados, e que a culpa é toda nossa e por isso temos de comer e calar e comer mais a seguir.

Um governo que governa contra as pessoas (mesmo as que o elegeram), que passa a vida a dizer mal delas, ou a desprezá-las, ou a ignorá-las, e que só se lembra delas quando se trata de as tornar mais pobres e miseráveis. Isto eu nunca tinha visto, nem antes nem depois do 25 de Abril. Sim, porque no tempo do Botas éramos pobrezinhos mas honrados, e para o PPC devemos ser pobrezinhos e bandidos.

Em vez de termos um governo "of the people, by the people, for the people", como Lincoln dizia ser o perene garante da democracia, temos um governo contra o povo. Acho que nem na Coreia do Norte!
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cesária
rosas
innersmile
Com o desaparecimento de Cesária Évora não é só Cabo Verde que se enche de tristeza por perder aquela que é porventura a mais emblemática das suas vozes. A perda e a tristeza também são nossas. Havia alguma coisa de português, da nossa alma, do nosso sentimento, na voz de Cesária e no modo como ela cantava as mornas. Quando ouvíamos Cesária cantar, não era uma coisa estrangeira aquilo que escutávamos. Era nosso. Éramos nós. Cesária podia cantar em crioulo, mas nós entendíamos, era nosso também aquilo que ela cantava. Não sei se o fado desaguou a sua melancolia na morna, mas a voz de Cesária era cheia de fado. É isso que é ser património imaterial da humanidade, é ouvirmos o fado na morna. Ou, melhor ainda, ouvirmos a morna no fado. Como Cesária.