December 13th, 2011

rosas

rabiscos

No final do último ano electivo a minha amiga e comadre Ana pediu-me para colaborar na apresentação que a sua turma dos 3 anos ia fazer na festa de fim de ano do colégio onde lecciona. A ideia era apresentar quadros da história de Portugal, com figurinos e adereços adequados, e umas cantigas escolhidas igualmente a propósito. A minha participação era escrever umas frases para os miúdos dizerem, muito simples e de preferência divertidas, inspiradas nessas figuras e momentos históricos.

A ideia é sempre mais fácil assim enunciada do que propriamente executada. Tão difícil é encontrar o tema como o tom, e normalmente um puxa o outro, quando temos uma ideia ela parece que se encarrega de escolher a forma que mais se lhe adequa. De modo que ainda passei uns dias a pensar no assunto, à procura de inspiração, e a rabiscar folhas de papel a ver se com o gesto ajudava à concretização (às vezes ajuda).

É que ainda por cima o nível de dificuldade aumenta na proporção inversa da idade: é complicadíssimo encontrar as palavras e os temas que façam sentido quando se destinam a ser usadas para e por crianças de 3 anos de idade. Nomeadamente no meu caso pessoal, que tenho muito pouco contacto com miúdos pequenos. Por um lado as coisas têm de ser muito simples, mas também têm de ser apelativas, as palavras têm de ter um certo ritmo e uma certa música, e até um certo sentido de humor, para os miúdos se encantarem e prenderem. E sobretudo tem de se evitar a tudo o custo infantilizar o discurso, através da utilização exagerada dos diminutivos e de ingenuidade poética. Há realmente uma enorme diferença entre o que é a infância, e a ideia que fazemos dela enquanto adultos, não obstante, obrigatoria e naturalmente, termos todos passado por lá.

Tudo isto porque, ao arrumar uma das gavetas da minha secretária, à procura já nem sei do quê, encontrei, numa pilha de facturas e de extractos, duas folhinhas de papel dobradas ao meio com os meus rascunhos, a lápis, das frases que fiz para os alunos da Ana. Fotografei-os, para os guardar antes aqui, já que os originais foram para o caixote da reciclagem.