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O livejournal tem estado muito miserável. Para além as quantidades imensas de spam, ultimamente o site está em baixo a maior parte do tempo, e mesmo quando está a funcionar é muito difícil aceder às diversas funcionalidades, nomeadamente pôr novos posts. Isto chateia-me porque me faz ter vontade de arranjar um blog noutra plataforma qualquer, e eu continuo a gostar aqui deste cantinho, que é sossegado. Apesar de achar que às vezes é mesmo demasiado sossegado e ninguém lê isto.

No fim de semana passado tirei dois dias de férias, e essencialmente fiquei em casa, saí pouco, li mais ou menos, ouvi música, e vi filmes no computador. Tenho aproveitado para ver filmes do Billy Wilder, que nunca tinha visto ou de que já pouco me lembrava. Já vi três, e já tenho mais um ‘on the oven’.

Os três filmes que vi eram todos com o espectacular Jack Lemmon. Vi muitos filmes dele, sou um rapaz que ainda é do tempo em que ele estava e estaria no activo. Mas ver assim três filmes de seguida, ainda por cima do Billy Wilder, faz-nos realmente ter a noção do grande actor de comédia que ele era, e como o seu jogo era subtil, passando, se for preciso na mesma sequência, de um registo mais burlesco, quase chaplinesco, para um outro mais sensível e emocional.

Os filmes que vi foram Buddy, Buddy, de 1981, o último filme que Wilder fez, The Front Page, de 1974, ambos com a dupla Lemmon-Walter Mathau, e Irma la Douce, de 1963, em que Lemmon faz par com Shirley MacLaine, a dupla-maravilha que já tinha feito com Wilder The Apartment.

Três comédias, mas cada uma com o seu tom, apesar de todas terem aquela ponta de loucura das comédias de Wilder, e uma certa tentação da subversão dos costumes, nomeadamente de natureza sexual. Irma La Douce é um filme extraordinário, uma comédia romântica feita de enganos e mal-entendidos, em que é difícil dizer o que é mais doce, se a própria personagem de Irma, se o olhar do realizador sobre a personagem e a sua profissão. Lemmon neste filme está fabuloso, afinado como um violino, como dizem os ingleses.

The Front Page é quase uma slapstick comedy, em que a falta de escrúpulos e a sede de sangue, fazem do jornalismo sensacionalista uma profissão violenta. Desde o princípio sentimos uma profunda simpatia para com o condenado à morte e numa sequência que dura boa parte do filme, estamos sempre sentados na borda da cadeira a desejar que ele não seja apanhado. Há neste filme uma referência directa à homossexualidade, e que quase poderia ser homofóbica, no sentido mais ridículo da caricatura, se nos genéricos finais, naquela parte em que nos é contado o destino das personagens, Wilder não nos informasse que dois dos personagens masculinos foram viver para Cape Cod e abriram uma loja de antiguidades. Cliché? Sim, é possível, mas em 1974 houve um filme que afirmava assim o casamento gay.

Buddy, Buddy é o último filme do realizador, e apesar de ser normalmente considerado um filme menor, um sinal da decadência do realizador, eu achei-o delicioso, quer nos pressupostos, quer na sua construção. Um assassino profissional prepara-se para matar o último de um grupo de mafiosos arrependidos que estão a colaborar com a autoridades, quando literalmente se lhe cola um schmuck suicida, capaz de provocar as maiores confusões, com destruição de propriedade incluída. Walter Mathau, no papel do assassino profissional, é um portento de contenção e comicidade, duas palavras que normalmente não andam juntas.

São assim oito os filmes de Billy Wilder que já vi: Sunset Boulevard (1950), Sabrina (1954), The Seven Year Itch (1955), Some Like It Hot (1959), The Apartment (1960), Irma la Douce (1963), The Front Page (1974) e Buddy Buddy (1981). Mas como disse já tenho mais um para ver, e não vou ficar por aqui, faltam-me ainda muitos, numa carreira com quase trinta filmes realizados.
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