November 30th, 2011

rosas

botto

O blog Band of Thieves costuma realizar um inquérito anual para apurar os melhores livros LGBT editados, ou pelo menos os melhores que o grupo de autores inquiridos leu. Este ano, para compensar a falta de visibilidade da literatura queer, quer em termos gerais quer nas escolhas dos livros do ano feitas pelos mais reputados jornais e revistas literárias, convidou ainda mais autores para fazerem as suas escolhas, e a lista que resultou é um excelente guia de leitura para quem gosta do género, e uma insubstituível fonte de informação (link para a lista completa).

Entre as escolhas estão alguns dos meus autores preferidos: o Edmund White, o Alan Hollinghurst e o Colm Tóibin, por exemplo, com as suas obras mais recentes, que eu ainda não li mas faço tenção de ler (o do Tóibín já cá tenho em casa há uns tempos, em lista de espera). E há pelo menos um que já li, o Just Kids, da Patti Smith, que já é um livro de 2010.

Mas a maior surpresa da lista, e para mim a maior alegria, foi um dos autores inquiridos, David McConnell, de quem confesso nunca ter ouvido falar, ter escolhido uma edição norte-americana de As Canções de António Botto. Edição que, ainda por cima, e de acordo com a página do livro da livraria Amazon, tem a tradução dos poemas feita por Fernando Pessoa (cujo aniversário da morte se assinala hoje, precisamente).
rosas

an englishman in new york

Trinta e quatro anos depois de The Naked Civil Servant, o John Hurt volta a encarnar a figura do Quentin Crisp para um telefilme que tenta capturar os anos americanos, os últimos, daquele que se chamava a si próprio England’s Stately Homo. An Englishman in New York vai buscar o título a uma famosíssima canção do Sting, creio que do seu primeiro álbum a solo.

O filme não é propriamente brilhante do ponto de vista cinematográfico, nem tem uma certa atmosfera contra-cultura como o filme de 1975, mas o prazer de encontrar o Quentin Crisp no retrato impressionante que dele faz o John Hurt, desperta o interesse no visionamento do filme.

Pelo menos para mim, que sou fã do Quentin Crisp desde que pela primeira vez tomei conhecimento da sua existência, numa das minhas deambulações londrinas. Li alguns livros dele (uns três ou quatro, incluindo o The Naked Civil Servant e o Resident Alien, uma colecção de texto e memórias da sua vida na América). O Quentin foi uma das minhas portas de entrada no mundo da cultura e da história homossexual, foi uma das minhas primeiras referências, e talvez o facto de ser tão distante de mim, em todos os aspectos, me torne tão fascinado por ele.