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travels with my aunt
rosas
innersmile


O Graham Greene há-de ter sido dos primeiros autores adultos que li de maneira mais consistente. Eu devia andar pelo fim da adolescência e, já nem sei bem porquê, talvez porque o nome do autor tivesse alguma notoriedade, li de seguida uma série de livros: Os Comediantes, O Nosso Agente em Havana, O Americano Tranquilo, O Agente Secreto, e outros de cujos títulos não me estou a lembrar agora. Depois, ao longo da vida, muitas vezes me apeteceu regressar ao autor, mas só agora é que isso aconteceu, porque encontrei à venda na Fnac Travels With My Aunt, um livro muito cómico e um pouco destravado, que Greene publicou em 1970.

Em duas linhas, o livro conta as aventuras de um zeloso bancário aposentado, que no dia do funeral da mãe, no momento da cremação, conhece a extravagante tia Augusta, que não só lhe revela alguns segredos muito grandes que lhe dizem respeito, como o vai arrastar em viagens intercontinentais, cheias de perigosos criminosos de guerra, espiões, polícias bons e maus, hippies, jamaicanos ganzados, entre outras personagens igualmente bizarras.

Greene usa uma história mirabolante para falar de coisas simples da vida, de opções muito básicas que temos de fazer. De facto, as situações muito exageradas com que Henry se depara, através da tia Augusta, remetem quase sempre para situações do quotidiano perante as quais somos obrigados a tomar decisões, nomeadamente de ordem moral. Além disso o livro está repleto de pequenas frase epigramáticas, daquelas que fazem as delícias dos sites de citações, verdadeiras pérolas, algumas bastantes sensatas não obstante provirem das pessoas e das situações mais obtusas.

O livro é delicioso, escrito num estilo que deve muito à mais clássica prosa de humor inglesa, nomeadamente a do P.G. Woodehouse, mas depois tem essa visão do mundo e da vida muito moral, no sentido nobre da palavra.