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a dangerous method 4*, la piel que habito 4*
rosas
innersmile
Este está a ser um fim de semana cinéfilo, e ainda não acabou. Para já, a contagem vai em dois belos filmes.

O primeiro foi A Dangerous Method, uma adaptação de um texto teatral de Christopher Hampton (o autor da adaptação de Les Liaisons Dangereuses que Stephen Frears realizou) que encena o encontro entre Sigmund Freud e Carl Jung, momento fundador da psicanálise e de uma nova era na relação entre o corpo e a mentalidade. Um texto muito denso que David Cronenberg filma contrastando muito o rigor formal da mise-en-scéne com a devastação intelectual e emocional que os protagonistas provocam e vivem eles próprios.

Do trio de personagens (Sigmund, Carl e, cherchez la femme, Miss Spilerein, que nalguns momentos é um quarteto, com Otto), se pode dizer, com propriedade, que o risco é a sua profissão. Mas também se poderá dizer o mesmo de Cronenberg, que ousa filmar fora da sua habitual zona de conforto (expressão que é um paradoxo quando aplicada ao realizador) uma história que é tanto ou mais perturbadora do que aquelas que nos habituámos a esperar dos seus filmes.


O outro filme que vi foi La Piel Que Habito, que marca o reencontro entre Pedro Almodóvar e Antonio Banderas, vinte anos depois da explosão da movida almodovarenha. Os críticos têm-se entretido a dizer mal do filme, e não percebo bem porquê. Pode não ser o melhor de Almodóvar, mas é um filme muito bem feito, com grande eficácia narrativa, e em que o realizador espanhol se entretém a brincar a outros géneros cinematográficos que não o habitual melodrama. Mas nem por isso este thriller deixa de ter aqueles envios todos ao melodrama que é uma das imagens de marca do realizador.

Um filme negro, é certo, mas cheio da habitual ironia de Almodóvar, da sua vontade de criar histórias que nos ponham a pensar que a vida normal é sempre uma coisa mais bizarra do que aparenta. E se falta ao filme uma personagem feminina muito marcante, como é habitual no seu cinema (apesar da presença sempre estimulante de Marisa Paredes), o reencontro entre Pedro e Antonio é fulgurante, e Banderas compõe de maneira brilhante uma personagem tão auto-controlada quanto auto-destrutiva. Esta tensão entre o bem e o mal vivida no limite dentro da mesma personagem não pode ser mais Almodóvar.
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