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os heróis
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innersmile
O blog Sound+Vision assinala os trinta anos da edição do primeiro disco dos Heróis do Mar, em Novembro de 1981. Lembro-me muito bem do impacto que teve e da polémica que rodeou a edição do disco. Na altura Portugal era (ainda) um país muito politizado e a imagem e a mensagem do grupo e da sua música tinham uma marca política muito acentuada. À época ser de direita era um problema e um embaraço, com excepção talvez de franjas muito marginais da direita radical, que se assumiam de forma mais provocatória do que ideológica. A maioria dos partidos e dos políticos que hoje reconhecemos serem de direita, era muito moderada. Neste panorama, o nacionalismo, ainda que pop, dos Heróis, e uma certa imagem neo-militarista, caiu que nem uma bomba.

Pessoalmente, e apesar de ser de esquerda, custou-me muito pouco lidar com a mensagem direitista da banda. A minha dificuldade maior em relação aos Heróis prendeu-se, sobretudo com dois outros aspectos: achei-os muito colados em termos de imagem, à corrente pós-new wave do que então se denominava como os novos românticos, e as suas canções pareciam-me demasiado construídas, pouco espontâneas. Mas, por outro lado, estava muito disponível para o grupo, sobretudo porque os seus principais protagonistas vinham de uma das bandas míticas do punk português, os Corpo Diplomático.

O que significa que durou pouco o meu engulho com o direitismo dos Heróis, e ouvi muito este primeiro disco. Mas lembro-me de ter tido discussões acaloradíssimas e muito frequentes com os meus colegas de faculdade. Na altura dava-me muito com pessoal ligado à JCP e ao partido comunista, e esses meus colegas diziam o pior dos Heróis, é claro: 'fascistas' era mesmo apenas o menos mau dos mimos. Aliás lembro-me de ter discussões tremendas com dois colegas a propósito da canção Russians, do Sting, que eles achavam uma canção reaccionária porque a letra dizia que 'I hope the russians love their children too' e eles achavam que isso era preconceito ideológico. O meu único argumento, na altura, era pedir-lhes que ouvissem a canção e prestassem atenção à letra, porque não tinha nada a ver com isso.

Note-se que essa canção do Sting é do seu primeiro disco a solo, o que significa que esses meus colegas ainda eram da linha ortodoxa em 1985. Não tardou muito tempo que grande parte deles, alguns que ainda hoje são meus amigos, entrassem em ruptura com o partido e iniciassem uma deriva rápida e decisiva pelo espectro político, ultrapassando-me claramente pela direita.

Quanto aos Heróis do Mar, e depois da estranheza inicial, foi uma das minhas bandas preferidas dos anos oitenta. Gostei de todos os seus discos, delirei com O Amor, e com a maior parte das canções do grupo (Fado e Glória do Mundo estão entre os melhores temas de sempre da música pop feita em Portugal). Grande parte delas estão bem marcadas na minha jukebox cerebral, e apesar de não as ouvir há muito tempo, continuam a rodar quase intactas na minha cabeça.

No fim dessa década de oitenta, como se sabe, o Pedro Ayres deixou cair os Heróis para arrancar com os Madredeus. E se a importância deste grupo é amplamente reconhecida na definição do que é hoje a música popular portuguesa, os Heróis do Mar não deixam igualmente de ser uma das bandas mais revolucionárias e influentes da história da pop nacional.

Saudade e Brava Dança dos Heróis foram os dois temas do primeiro single dos Heróis. Apesar dos clips não serem propriamente brilhantes, aqui ficam a recordar os 30 anos destes primeiros temas da banda.



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