November 17th, 2011

rosas

drei

Por sugestão do meu amigo João, vi o filme Drei, de Tom Tykwer, realizador de quem tinha visto há muito anos Run Lola Run, um filme que teve algum culto e que revelou para o mundo a Franka Potente. Drei conta a história de um triângulo amoroso, em que os dois membros do casal, marido e mulher, conhecem e se apaixonam pelo mesmo homem. Mas mais importante do que a história, na minha opinião, é a narrativa, a maneira como a história é contada, e sobretudo o tom da narrativa. Através de uma e de outro,Tom Tywerk conta uma história em que o que sobressai é o modo como nós, os seres humanos de aqui e de agora, vivemos as nossas vidas, as nossas aspirações, os nossos desejos, as nossas angústias e os nossos medos.

Claro que o filme me tocou de maneira muito pessoal, e por mais de uma razão. Uma bem prosaica: há uma piscina fabulosa no filme, instalada em pleno leito do rio, onde eu adorava nadar. Tocou-me, como sempre acontece, o facto de uma das personagens sofrer um cancro, e ser precisamente o tipo de cancro que eu tive (apesar de ter achado que todo esse aspecto da narrativa é pouco realista, pelo menos a julgar pela minha própria experiência, e além disso não tenho bem a certeza de ser necessário em termos de economia da história).

Como disse, a linguagem que o filme utiliza para contar a história (como de resto já acontecia com Run Lola Run) é pouco convencional, quer pelo uso da montagem, quer pelos próprios planos e sequências, quer até pela utilização de elementos extra-filme, que vêm realçar aspectos emocionais da narrativa. Por exemplo, impressionou-me muito que, aquando da morte da mãe de Simon, o realizador tenha optado por inserir um plano de uma criança a seguir sozinha um féretro. Acho que não há maneira mais eloquente de transmitir a sensação de solidão e abandono que devemos sentir quando perdemos a nossa mãe, do que esse plano em preto e branco.

De resto, um dos aspecto que mais surpreendeu e impressionou no filme, foi a referência à morte, que está sempre e sempre muito presente ao longo da história. Se o filme é, como comecei por afirmar, um dedo no pulso da maneira contemporânea de viver a vida e estar no mundo, por outro lado não pára de afirmar como continuamos frágeis e perplexos perante a passagem do tempo e o seu fim inexorável.

Como referi, o filme contém alguns inserts de imagens extra-filme. Essas imagens servem, no filme, para encenar, como não podia deixar de ser, a morte. Achei duas delas tão belas e poderosas que fiz um still de propósito para as pôr aqui. A segunda é belíssima, de um formalismo tão meticuloso que faz suspender a respiração. Mas a primeira, a que já me referi mais acima no texto, deixou-me literalmente em lágrimas quando apareceu no filme.