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unnoticed
rosas
innersmile
Há muitos anos que trabalho em organizações muito grandes, que empregam muitas pessoas, e em lugares de alguma visibilidade interna. E Coimbra é uma cidade pequena, o que faz com que a maior parte das vezes que saio de casa encontro ou cruzo-me com alguém que trabalha nessas organizações. A maior parte das vezes esses encontros não são desagradáveis, apesar de ser muito aborrecido um tipo pôr um pé fora de casa e encontrar logo alguém conhecido. Chateia-me sobretudo ao fim de semana, quando saio de casa vestido à balda, ou mesmo mal-vestido, e não me apetece ser visto e escrutinado. No Sábado à noite fui jantar com um grupo de amigos e depois do jantar fomos a um bar da cidade beber um copo (no meu caso, foi mais uma chávena, de chá). De repente noto que na mesa ao lado estão duas pessoas a olhar muito fixamente para mim e a comentarem uma com a outra. Demorei alguns segundos até reconhecer, ou parecer-me reconhecer, um delas e colocá-la na organização onde trabalho. Uma das razões porque eu gosto de grandes cidades, e pela qual durante muitos anos fugia ao fim de semana para Lisboa (quando não mesmo para mais longe), é uma espécie de rarefacção que vem com o anonimato, com a possibilidade de não encontrar ninguém conhecido, com uma certa garantia (relativa, é claro) de nunca podermos ser apanhados a fazer o que não devemos. Nem era o caso de ontem, o lugar onde estava era insuspeito e as pessoas com quem estava eram insuspeitíssimas, mas sinto logo um certo mau-estar quando os diversos mundos por onde me movo se intersectam.