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as aventuras de tintin 3*
rosas
innersmile
Não sei se As Aventuras de Tintin está a ser um sucesso de bilheteira, mas aparentemente a operação Tintin foi bem sucedida: Spielberg conseguiu lançar uma nova série de aventuras, bem demarcada em termos de identidade (este Tintin, apesar das homenagens a Hergé, logo nos planos iniciais, é um novo herói made in Hollywood), com uma narrativa sólida, e técnica e tecnologicamente interessante. Nada de muito diferente de outros empreendimentos anteriores de Spielberg, como Indiana Jones ou Jurassic Park.

Neste contexto, Tintin aguenta-se bem à bronca. O filme está bem estruturado, as personagens têm relevo (trocadilho intencional para a versão 3D), as sequências de acção conseguem ainda ser mais lúdicas do que acontecia por exemplo em Indiana Jones, há humor e piscadelas de olho quer a cinéfilos quer a amantes da BD.

O que falta então? É, se calhar, perceber que sentido é que isto tudo faz. O filme de Spielberg nunca nos faz interessar verdadeiramente pelo destino de Tintin e de Hadock. Falta, se quisermos, um certo lado sombrio que sempre marcou os melhores filmes de Spielberg, mesmo quando ele estava muito disfarçado. Tintin, como herói, é demasiado desprovido de conflito para funcionar no universo emocional do cinema de Spielberg, em que a aventura, mesmo a mais desenfreada, como em Indiana Jones ou 1941, tem sempre um fundo e uma motivação humana, pessoal.

Mas dito isto, o filme tem algumas sequências fantásticas. A batalha naval, que passa das areias do deserto para o alto mar através da imaginação toldada de Hadock, é fabulosa. A perseguição através da cidade de Bagghar é uma viagem de montanha russa tão ou mais alucinante do que a dos filmes de Indiana Jones. E como sempre acontece nos filmes de Spielberg a tecnologia nunca está à vista, é sempre subordinada à lógica da história, não serve para deslumbrar mas para permitir soluções narrativas.