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Passou esta noite no canal 2 da RTP o documentário Jorge Salavisa - Keep Going. Realizado pelo Marco Martins, constitui, como o título indica, uma retrospectiva da carreira de Jorge Salavisa, primeiro como bailarino (dançou e trabalhou com Margot Fonteyn), depois como professor e director artístico de companhias de dança, finalmente como director do Teatro São Luiz, em Lisboa. Uma carreira fantástica, não apenas pela sua dimensão e alcance, mas sobretudo pelos resultados das suas obras.

Uma parte substancial do filme, como não podia deixar de ser, é dedicada ao Ballet Gulbenkian, onde Salavisa entra, em finais dos anos 70, como mestre de bailado, para se tornar ao fim de pouco tempo, e durante mais de uma década, o director artístico da companhia. O documentário sublinha o inquestionável contributo de Salavisa e do BG no surgimento de uma geração de ouro da dança contemporânea em Portugal, através dos nomes de Vasco Wellencamp, Olga Roriz, e muitos outros que ainda hoje marcam muito do que é a dança no nosso país.

Nesta sequência, o documentário ganha um entusiasmo extraordinário, que traduz na perfeição o que foi o estatuto (nacional e internacional) do Ballet Gulbenkian, o dinamismo que marcava o seu trabalho e a excitação com que o público o recebia. E é espantoso como ainda hoje, tantos anos depois, o pacato serão é agitado pela recordação da energia que emanava dessa companhia de dança e do fulgor do que foi a coreografia contemporânea portuguesa. E é incrível, mas também imensamente triste, como essa energia e esse fulgor parecem perdurar nas nossas memórias como a luz que ainda perdura de um farol que se apagou.

paperbacks
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innersmile


A principal razão porque eu gosto dos paperbacks ingleses, em especial os da Penguin, é a possibilidade de os dobrar totalmente para trás, encostando a capa à contracapa, permitindo segurá-los apenas com uma mão. Mesmo o livro que estou a ler, um calhamaço com quinhentas páginas, deixa-se assim dobrar sem um ai ou o mínimo esforço. Experimente-se fazer a mesma coisa a um livro publicado por uma editora portuguesa, uma qualquer, e das duas três: ou a capa fica arruinada, toda vincada, ou os cadernos da encadernação se soltam todos, ou acontecem as duas coisas ao mesmo tempo. Tenho um livro do Saramago que, mesmo sem nunca o ter submetido ao teste da dobragem, tem as folhas todas soltas. Os livros da Penguin deixam-se dobrar, as capas ficam intactas, as folhas não se soltam, e no fim ele regressa à sua forma original com competência e graciosidade. Claro que também têm os seus contras, e um que me estou a lembrar agora é que o papel dos paperbacks, nomeadamente os da Penguin, envelhecem mal. Qualquer livro com meia-dúzia de anos tem ar de ser uma velharia de alfarrábio, e as folhas parece que foram colonizadas por famílias inteiras de ácaros que esperam a oportunidade para se mudarem das folhas do livro para as nossas mãos e delas para os nossos pulmões.
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