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os subsídios
rosas
innersmile
Acho que começo a perceber o ódio que as pessoas sentiam em relação ao Sócrates, porque começo a ter um sentimento idêntico em relação ao Passos Coelho e sus muchachos. Começo a achar insuportáveis a hipocrisia, as mentiras, a desfaçatez, a falta de sentido de Estado, o indisfarçável desprezo pelos trabalhadores, públicos e privados, de Passos, mas também não tolero o despudor escarninho de Relvas ou a arrogância geek de Gaspar. Apetece-me correr essa gente toda ao tabefe, linguagem que, por ser tão básica, eles lá hão-de compreender.

Mas fico completamente tresloucado com a maneira como o governo, e Passos em particular, tem tratado a medida anunciada do corte dos subsídios de férias e de natal aos trabalhadores da administração pública. Quem ouve o primeiro-ministro falar pensará que se trata de uma liberalidade, de uma esmola, que o Estado enquanto patrão paga aos seus servos. A própria escolha das palavras não é inocente: nunca o Passos se refere aos décimos terceiro e quarto meses, mas sempre aos ‘subsídios’, para reforçar a ideia de que é algo que não tem carácter vinculativo e obrigatório.

Ora os subsídios de férias e natal não têm natureza de subsídios mas sim de remuneração, fazem parte do rendimento proveniente do trabalho. Não são liberalidades atribuídas aos trabalhadores (públicos ou não). A opção por os processar desta forma concentrada em duas prestações anuais, em vez de os incorporar no salário mensal do trabalhador, não é da conveniência ou para benefício do próprio trabalhador, mas sim da conveniência e para benefício da própria entidade empregadora (seja ela o estado ou uma empresa privada).

Escamotear isto, ou é ignorância ou má fé. O meu rendimento proveniente do trabalho por conta de outrem, aquele a que eu tenho direito por conta do contrato que assinei , e que recebo em troca do trabalho que disponibilizo ao meu empregador, equivale a uma determinada remuneração vezes cartorze. Os subsídios de férias e natal não são uma esmola. Fazem parte do meu salário.
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