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contagion 4*
rosas
innersmile
O Steven Soderbergh é de facto um realizador fascinante: pelo volume da sua produção, mas também pela voracidade com que se entrega a estilos de filmes completamente diferentes, e, mais, a ambientes de produção radicalmente distintos. Com efeito, Soderbergh tanto faz mega-produções segundo a melhor cartilha de Hollywood, como se dedica filmes mais pessoais, a produções independentes. E os resultados são sempre interessantes, mesmo quando não são completamente conseguidos.

O que não é caso de Contagion, filme de uma eficácia absoluta, que filma em ritmo de thriller a propagação de um vírus pelo planeta em poucos dias, a luta contra o tempo que é a procura de uma vacina, e pelo meio a convulsão social, política e económica que uma crise deste género pode ocorrer (ou seja, o que nos poderia acontecer se os alarmes em relação à gripe das aves ou ao H1N1 tivessem sido um pouco mais sérios).

Organizado no estilo de mosaico que Soderbergh já tinha experimentado com Traffic, o que impressiona em Contagion é a secura e o ritmo da narrativa, e o modo como todos os elementos se vão organizando. Nem a pluralidade de histórias e de personagens nem a correspondente presença de muitas celebridades em pequenos papeis, distrai o filme da sua missão principal, que é acompanhar a progressão do vírus e mostrar como duas profissões aparentemente desinteressantes (técnicos de saúde pública e cientistas de laboratório) podem ganhar o insuspeito estofo da heroicidade.
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