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amadeus
rosas
innersmile
Um bom texto, uma encenação competente, interpretações seguras. E não é preciso muito mais para fazer um bom espectáculo de teatro. Amadeus, em cena no Teatro Nacional Dona Maria II começa por ter um texto magnífico, de Peter Schaffer, que equilibra na perfeição a parábola moral e a acção dramática, e além disso é servida por falas de grande efeito e intensidade. Depois, a encenação de Tim Carroll ambiciona à grandeza do épico mas nunca perde de vista que o essencial se passa na intimidade do jogo de xadrez. Finalmente, as actuações são projectadas, mas sempre com uma oralidade muito segura e muito fiel ao texto.

Em suma, um espectáculo magnífico, uma das melhores peças de teatro a que já pude assistir, daquelas capazes de criar no espectador, mais do que interesse, verdadeiro entusiasmo pela trama, mesmo quando, como é o caso, o enredo já é sobejamente conhecido. Tudo nesta produção resulta. Para além do que já referi, não se pode deixar de mencionar a cenografia, muito bem concebida, e que reproduz, quando a cena está totalmente aberta, o próprio espaço da sala grande do Dona Maria, num efeito espectacular e muito eficaz. Os figurinos, as cabeleiras, os adereços, a iluminação (de Daniel Worm de Assumpção, que é sempre uma garantia de um bom trabalho), são outros elementos que valorizam muito o espectáculo.

O trabalho dos actores é muito bom. O ensemble funciona muito bem, mas de facto não há como não louvar o trabalho do Ivo Canelas e sobretudo do Diogo Infante, que é sem dúvida um dos melhores actores nacionais da actualidade.
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