?

Log in

No account? Create an account

steve jobs
rosas
innersmile
Não posso dizer que esteja triste por causa da morte do Steve Jobs, o patrão da Apple, mais um homem muito jovem que morre vítima do cancro. Mas não deixo de me sentir tocado pelo seu desaparecimento.

Quando eu era miúdo, o mundo talvez fosse mais lento do que é hoje. A minha infância foi muito marcada pela leitura das biografias dos cientistas que marcaram o progresso da passagem do século XIX para o XX. Li a biografia de Pasteur como se ele tivesse acabado de criar a vida. Marie Curie era uma heroína. E Thomas Edison tinha inventado, não a vida, mas o mundo. Havia, ainda, este culto dos cientistas como se eles fossem verdadeiros super-heróis.

Confesso que apenas voltei a ter um sentimento semelhante ao que tinha em relação a estes heróis da minha infância, quando Steve Jobs e Bill Gates fizeram os computadores mudar as nossas vidas. Não as nossas vidas em termos de desígnio histórico, não a nossa (vã) filosofia, não o futuro da humanidade. Mas, tal como Edison ou Pasteur, as nossas vidas íntimas, particulares, domésticas, quotidianas. As nossas vidas de todos os dias. A maneira como percebemos os nossos problemas e como os resolvemos. A maneira como nos divertimos ao fim de um dia de trabalho, mas também a maneira como levámos a cabo esse nosso dia de trabalho. A maneira, enfim, como escrevemos diários, para registar o melhor e o pior dos nossos dias.