September 19th, 2011

rosas

paisagens... onde o negro é cor

Fui ver este fim de semana mais um espectáculo da Companhia Paulo Ribeiro. É, se não me engano, a quarta coreografia a que assisto, e a ideia que tenho é que gosto sempre mais. No pressuposto de Paisagens... Onde o Negro É Cor estão as residências que a companhia fez em nove cidades portuguesas, mas a intenção inicial de desenvolver sequências para cada uma das cidades foi trocada por uma peça onde convivem elementos fixos e outros variáveis, e onde, consequentemente, a estrutura do espectáculo pode variar de apresentação para apresentação.

É um bocado inútil, e estraga, na minha opinião, o desfrute da peça, procurar relacionar cada uma das sequências com as cidades que as inspiraram, tirando dois ou três casos em que se chega lá sobretudo pela música. Esta dança não é narrativa, e ainda menos descritiva, com um dispositivo cénico muito minimal (marca João Mendes Ribeiro) e figurinos simples. Mais interessante se torna, por isso, tentar perceber o clima emocional, se quisermos o sentimento ou então mesmo apenas o ‘mood’ particular que cada um dos números nos transmite.

Em geral, creio que o olhar que Paulo Ribeiro, e os seus bailarinos, retêm do país é optimista. Perpassa por toda a peça um evidente sentido de humor, que de certo modo se acentua com um certo fascínio que a coreografia revela por certos movimentos mais próximos das street dances, que Paulo Ribeiro transporta para o palco tornando-os mais lentos e com uma definição mais rigorosa.

Apesar de haver momentos em que a tentação da encenação quase se sobrepõe à coreografia, Paisagens mostra uma linguagem coerente e trabalhada com desenvoltura. Pessoalmente, prefiro sempre a dança à encenação, e esta peça do Paulo Ribeiro é sempre mais envolvente quanto mais se aproxima de puro movimento. Sobretudo quando ele nos é entregue pelo assombro de que a Leonor Keil sempre é capaz ou pela energia que lhe imprime o Gonçalo Lobato.