September 14th, 2011

rosas

the ward (o hospício) 4*

Que saudades do bom velho cinema do John Carpenter. Foi com os filmes do Carpenter que eu aprendi a gostar de filmes, não tanto de terror, mas de medo. E este The Ward é um regresso à narrativa pura, ao gozo de contar uma história que nos enche de suspense, quie nos faz saltar da cadeira em dois ou três momentos, mas que nunca subjuga o espectador com a tortura do horror, como agora está tão na moda neste género de cinema.

Há pormenores deliciosos no filme, como o facto de as raparigas da enfermaria serem todas muito jovens e muito bonitas, é uma coisa quase hitchcockiana, aquele frisson um bocadinho sádico de fazer mal a raparigas giras.A banda sonora é fabulosa, aliás foi a banda sonora que primeiro me fez reconhecer o tipo de gozo próprio de estar a assistir a um filme do John Carpenter, uma música quase surda, cheia de sonzinhos e distorções, que parece que nos rodeia e abraça e conduz através de corredores mal iluminados onde sabemos que nada de bom pode acontecer.

O Carpenter é de facto um mestre, e um mestre que faz o seu cinema fora dos sistemas de produção industrial de Hollywood. Mas parece-me que emprestar a este filme conteúdos e intenções políticas (como li nalgumas páginas de jornais portugueses) é um enorme disparate, próprio de uma certa corrente de críticos, e espectadores em geral, que têm sempre de opor qualquer coisa a uma outra, para conseguirem raciocinar. O filme de Carpenter faz de facto lembrar Shutter Island, do Martin Scorsese, mas não é preciso arrasar o cinema actual de Scorsese para se gostar do de Carpenter. Mas é inegável que o filme de Carpenter tem uma crueza e um despojamento que põe mais à vista o domínio da maravilhosa técnica que é contar uma história, e com isso criar um universo de emoções, através do fantástico poder das imagens.


(edited for spelling)