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amado monstro
rosas
innersmile
A notícia vem na edição on-line do JN (à qual cheguei através de um post dos Felizes Juntos): um pai, em Vila Nova de Gaia, engenheiro de profissão, perseguiu um filho de 15 anos numa saída nocturna, para descobrir que ele se foi encontrar com amigos numa discoteca gay, tendo chamado a polícia pelo facto de a discoteca ter tolerado a admissão de um menor.

A notícia é lacónica, mas adianta ainda que mais tarde, de madrugada, o pai, acompanhado do “adolescente lavado em lágrimas” se dirigiu à esquadra da polícia de Valadares para o entregar, recusando-se a ficar com o filho em casa.

Receio que, disfarçada pelo tom de fait divers, passe despercebida a brutalidade da notícia. Claro, se há pais que matam os filhos, alguns bebés com poucos meses, à pancada, não é mais chocante que um pai vá entregar um filho à polícia por não saber o que há-de fazer com a sua homossexualidade. Por outro lado, são inúmeras as histórias, algumas com pessoas que conhecemos bem, com amigos, que revelam essa incompreensão por parte dos pais em relação à homossexualidade dos filhos.

Também não sabemos de que família exactamente é que estamos a falar, se se trata de uma família estruturada, ou se, pelo contrário, a homofobia não passará de mais uma disfuncionalidade. Mas não deixa de ser arrepiante pensar no quadro que a notícia pode sugerir: um pai, que acaba de descobrir que um filho de 15 anos, apenas, é homossexual (provavelmente já desconfiaria, ou não se punha a segui-lo), sai de casa de madrugada porque não sabe o que é que há-de fazer com essa circunstância tão absurda que é ter um filho gay.

Esta terrível e enorme e absurda incompreensão é que, para mim, é brutal. Percebo-a melhor quando ela se dirige a estranhos, em que a homofobia é sobretudo o medo do que é diferente e, só pelo facto de o ser, ameaçador. Mas custa-me imenso percebê-la quando ela se dirige a alguém que conhecemos intimamente, que é parte de nós, que é, afinal, um outro eu. E perturba-me o pavor que há-de ter sentido um miúdo que se vê confrontado com essa incompreensão por parte, precisamente, daqueles que mais o deveriam proteger das incompreensões do mundo.
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