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o último acto em lisboa
rosas
innersmile


Depois de O Cego de Sevilha, voltei a insistir no Robert Wilson, e desta vez li O Último Acto em Lisboa. Gostei imenso. Tal como acontecia com o Cego de Sevilha, uma história muito bem concebida e construída, com dois planos narrativos bem demarcados: um escrito na primeira pessoa do singular, passado na actualidade, em que um inspector da PJ investiga o assassínio de uma adolescente; e outro, escrito na terceira pessoa, em que acompanhamos ao longo do século passado as aventuras de dois homens, um nazi alemão e um contrabandista beirão, que se unem para ganhar dinheiro e acabam banqueiros em Lisboa. Todo o livro são histórias de traições e vinganças, umas a seguir às outras.

Dando-se a circunstância do autor ser um inglês residente em Portugal, O Último Acto em Lisboa é muito uma homenagem ao país, em que Portugal, ou mais particularmente o século vinte português, é o verdadeiro protagonista do romance. Claro que se trata de um livro de ficção, sem grandes preocupações de rigor histórico, mas não encontrei no livro nenhuma desfocagem significativa em relação ao que foi o essencial da nossa história. Nota-se, acho eu, que o olhar para o país é exterior, demasiado factual, muito a preto e branco, sem grandes tonalidades de cinzento. Estas existem, mas estão todas guardadas para os penumbrosos caminhos percorridos pelas personagens do romance.

Esta literatura policial diverte-me muito, e é muito viciante. Mas confesso que começo a sentir a falta de ler uma coisa mais substancial. Mas ainda não será para já, porque entretanto já estou a ler outro thriller.