?

Log in

No account? Create an account

o cego de sevilha
rosas
innersmile


Foi a minha leitura de férias: O Cego de Sevilha, de Robert Wilson. Um policial muito bem bolado, com espessura, densidade psicológica, uma história concebida com imaginação, com um arco temporal alargado, com referencias para a história do século vinte espanhol, enfim com uma ambição que vai para além do thriller puro e duro.

É difícil falar de livros policiais sem desvendar um pouco da história, e isso, na minha opinião, estraga a experiência da sua leitura e da sua descoberta. De qualquer forma este é o primeiro de uma série que já vai em quatro, de livros protagonizados pelo ‘inspector jefe’ Javier Falcon, que, nesta sua primeira aventura, se vai confrontar essencialmente consigo mesmo, com a sua memória, com a sua história pessoal, com as suas emoções.

Uma curiosidade: o autor, inglês, reside há vários anos em Portugal, no Alentejo, e dois dos seus livros, igualmente thrillers e que tenho muita vontade de ler, são passados no nosso país. Para além disso, tem ainda uma outra série de thrillers passados em África. De resto, Robert Wilson tem uma página na internet que vale a pena visitar (www.robert-wilson.eu), mais não seja porque tem uma curta nota auto-biográfica muito interessante.

Só mais uma coisa. O livro tem uma espécie de livro dentro do livro, um conjunto de diários escritos ao longo de trinta ou quarenta anos por uma personagem que já morreu. Estes diários são de facto o cerne do romance, e, é claro, são eles que o descodificam. Mas para além desta função policiária, mais coerente com a economia narrativa do thriller, estes diários de facto contam uma história dentro do livro, e, pelo menos na minha opinião, são a sua parte mais interessante e fascinante (quer no que respeita aos protagonistas, quer no que toca à própria história que desvendam). No fim do livro o autor diz-nos que apenas uma parte dos diários que criou foi aproveitada para o livro, e que há outro conjunto de diários que deixou de fora, porque não eram tão relevantes para a acção, e indica o endereço de um site onde poderão ser lidos esses diários inéditos. Infelizmente, esse endereço já não está válido e reencaminha automaticamente para outro onde não consegui encontrá-los. Se alguém souber onde estão os diários inéditos de Francisco Falcon, a gerência agradece a respectiva partilha.