August 4th, 2011

rosas

ti-nó-ni

Durante uma audição do presidente do INEM na comissão parlamentar da saúde, ontem, uma deputada do PSD com ar de quem joga nos juniores (para não dizer nos infantis) disse que o grupo parlamentar do partido tinha feito uma chamada falsa para o número de emergência para testar os tempos de resposta no atendimento por parte daquele organismo.

Para além da ignorância revelada por não saber que quem atende o 112 não é o INEM mas sim a PSP, que depois reencaminha a chamada para o serviço próprio (INEM, bombeiros, a própria polícia), fazer chamadas falsas para um número de emergência pode constituir um crime, sendo, todavia, sempre uma imbecilidade, que apenas se admite a pré-adolescentes palermas que não têm pais que os eduquem. É daquelas coisas que não passa pela cabeça de ninguém fazer a não ser que se seja completamente desprovido de juízo. Mas mesmo completamente. Está, digamos, ao nível daqueles tipos que ateiam fogos só pelo gozo do aparato dos bombeiros. Fazer uma chamada falsa para um número de emergência é daquelas coisas que não se fazem, seja sob que pretexto for, e nem é preciso explicar porquê.

Agora que uma deputada de um partido assuma que o tenha feito para testar, só para o efeito da argumentação, é pior do que cometer um crime. Revela, é óbvio, uma total ausência de sentido de responsabilidade, incompreensível num deputado (agravada se a decisão foi partilhada). Mas revela ainda uma tremenda ingenuidade, que é de todo inadmissível. Inaceitável. Que não haja o mínimo escrutínio por parte dos partidos quando compõem as listas de candidatos a deputados. As juventudes partidárias (de onde penso que provém esta deputada) deviam servir para isso mesmo, para os jovens fazerem uma espécie de tirocínio político e cívico dos futuros quadros partidários. À gravidade do acto soma-se, neste caso, a total ausência de consciência dessa gravidade, e a falta de calo (ou de manha) para dizer estas enormidades em voz alta.

Este episódio passou-se ontem, e à excepção da agenda dos telejornais e da imprensa, não vejo que esteja a provocar a reacção que a sua gravidade reclama, nomeadamente por parte dos partidos da oposição e das forças sociais ligadas à saúde. O estado de graça justifica qualquer desgraça?