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rosas
innersmile
O innersmile faz hoje dez anos. E dez anos, como dizia o outro, é muito tempo!

Para falar com franqueza, não consigo dizer nada que não tenha dito já, noutras ocasiões. Aborrece-me, é claro, o facto de ser lido por cada vez menos gente, mas, para além de admitir que as pessoas se cansem de ler sempre mais ou menos a mesma coisa, a verdade é que há cada vez menos pessoas a escrever e a ler blogs. Tenho passado por fases em que sou mais preguiçoso ou ando menos disponível para escrever (pode parecer mentira, mas um texto não muito grande, menos do que uma folha A4, demora-me mais de uma hora a escrever), outras em que me falta o assunto, mas é uma questão de esperar uns dias, que volta a vontade de escrever e de partilhar. Tenho pena que praticamente tenha deixado de escrever contos e poemas, era das coisas que me dava mais gozo.

Ao longo destes dez anos o innersmile foi-se tornando numa das minhas maneiras de lidar com o mundo (“this is my letter to the world”, diz um poema da Emily Dickinson). Sempre quis que ele fosse uma espécie de diário, que prolongasse o meu hábito mais antigo de escrever diários. Claro que escrever um diário que é público (mesmo quando há tão pouca gente a lê-lo) marca necessariamente o que se diz e a maneira como se diz. Prefiro pensar que tenho vida para além do innersmile, mas para todos os efeitos o innersmile faz parte da minha vida, ou pelo menos vem fazendo nos últimos dez anos. Ao ponto de alguns dos meus melhores amigos serem pessoas que conheci através dele.

Dez anos é de facto muito tempo. E de vez em quando, vou ler uns textos antigos (ou à procura de qualquer coisa ou apenas porque sim) e constato que o innersmile mudou. Mudaram os temas, mudou o estilo, mudou a prosa. Mas apesar de tudo acho que se pode olhar para estes dez anos e perceber que há uma certa linha de continuidade. Porque, e já que comecei com uma canção, termino com outra, como diz o Paul Simon nuns versos que fez para a canção The Boxer por ocasião do famoso concerto de Central Park (e que eu não citava há muito tempo), “after changes upon changes we are more or less the same”.