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como nos livros?
rosas
innersmile
Estou a ler O Executor, um livro policial da autoria de Lars Kepler, na verdade o pseudónimo de um casal de escritores suecos (em que a sueca é originariamente portuguesa), e de quem já tinha lido o ano passado um outro livro. Estamos a falar de uma corrente actualmente muito em voga, que é o policial nórdico, e de que já li obras de escritores como Henning Mankell, Stig Larsson,ambos suecos como Kepler, ou Jo Nesbo, norueguês. Trata-se de um policial de facto com características específicas, em que uma certa atenção social e política (nomeadamente no que toca ao papel do estado nas sociedades actuais) se alia a uma violência extrema.

Tem sido muito interessante, e perturbador, acompanhar as notícias relativas ao atentado e ao massacre perpetrado por um fundamentalista cristão e nacionalista na Noruega, ao mesmo tempo que passo boa parte do dia a ler descrições de cenas violentas levadas a cabo num clima de denso mistério em que o negócio das armas, e a fragilidade dos estados europeus, são factores preponderantes. É como se o que se passou na Noruega fosse a prova de que os cenários fantasiosos criados pelos escritores nórdicos não fossem meramente fantasistas.

A literatura policial tem, já de si, a capacidade de sugestionar o leitor, nomeadamente esta nórdica, que é muito atmosférica. É estranhíssimo de repente ter uma espécie de câmara de eco na realidade que ultrapassa em muito o aspecto lúdico que tem o jogo literário. Instala-se uma espécie de dupla incomodidade, quer porque de súbito aquilo que estamos a ler parece ser uma mera ressonância da realidade, quer porque não conseguimos deixar de sentir um certo sentimento de culpa por nos estarmos a divertir com uma coisa que a realidade amplia para o mais insuportável dos horrores.