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mission drift
rosas
innersmile
Assisti ontem à noite, na Oficina Municipal do Teatro, à representação de Mission Drift, uma peça do grupo de teatro The TEAM, de Nova Iorque. Trata-se de uma espécie de musical, com um set de canções muito boas, de inspiração blues, da autoria de Heather Christian, que também participa no espectáculo, tocando e cantando as canções (ao piano, acompanhada por um baterista e um guitarrista) e integrada na representação.

A peça segue dois fos narrativos, que se vão desenvolvendo em paralelo: a história de Joan, uma empregada dos casinos de Las Vegas, e da sua relação com Chris, e a de um casal de holandeses que no século XVII chegam à América como pioneiros e partem à conquista do oeste. O texto junta em doses equilibradas, uma reflexão sobre o capitalismo, referências a lendas nativas sobre a origem mitológica do continente americano, e o próprio romanesco da história. O resultado é um tecido muito agudo acerca do carácter da América, pelo menos no que respeita à dicotomia entre a ambição do lucro e a felicidade pessoal.

O espectáculo é muito envolvente, tem um ritmo muito sincopado, os actores dão de facto o litro em representações que são simultaneamente físicas e subtis, e as canções, como já disse, são excelentes. A peça é muito estimulante e divertida, cumprindo a função de entreter e de nos convidar a pensar em coisas sérias.

Só mais uma nota. Depois de acompanhar as aventuras do casal de pioneiros holandeses no oeste americano, e sobretudo no lugar de todos os absurdos da sociedade capitalista que é Vegas, uma das personagens femininas enceta um caminho de regresso ao Este do continente e vem ter a uma cidade chamada Nova Amesterdão, onde encontra, digamos assim, uma sua dupla não corrompida pelo capitalismo mas disposta a sê-lo. New Amsterdam, como se sabe, é um dos nomes originários da cidade que deu lugar a Nova Iorque, precisamente a casa desta companhia The TEAM.
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