June 23rd, 2011

rosas

assunção

Anda-me a apetecer escrever aqui sobre a eleição de Assunção Esteves para presidente da Assembleia da República, mas não tinho tido cabeça para alinhar duas ou três ideias sobre o assunto.

Sobretudo apetecia-me falar sobre o facto de Assunção Esteves ser a primeira mulher a exercer o segundo cargo da hierarquia do estado, o que é uma coisa um pouco bizarra se pensarmos que o actual regime democrático tem quase quarenta anos, e ainda nos anos setenta houve uma mulher a exercer o cargo de primeiro-ministro (que foi igualmente a única mulher a apresentar-se como candidata à presidência da república com vocação de ser eleita). Não deixa de ser significativo só agora haver condições, psicológicas e culturais exclusivamente, para os membros do orgão de representação oligárquica do estado aceitarem entregar a presidência do seu senado a uma mulher.

Mas mais importante do que uma mulher a exercer o cargo de presidente da Assembleia da República, é o facto de se tratar daquela mulher em particular. Assunção Esteves não é uma jovem turca, como a novel ministra e sua homónima Cristas, nem uma baronesa dos gabinetes partidários do parlamento, como Maria de Belém. Assunção Esteves tem experiência parlamentar (nacional e europeia), tem uma profissão (é professora de direito) e tem talento e ambição suficientes para desempenhar altos cargos de serviço público (foi a primeira mulher a servir como juiza do Tribunal Constitucional).

A escolha pelo parlamento de Assunção Esteves para sua presidente é a prova de que a política portuguesa não é tão má como parece, nem está esgotada na teia dos interesses e do esvaziamento ideológico. Mais do que o simbolismo de ser a primeira mulher a desempanhar o cargo, Assunção Esteves é responsável por nos devolver um bocadinho da satisfação e orgulho que devemos sentir pelos nossos dirigentes e políticos.