June 21st, 2011

rosas

o futuro

Leio no jornal que vai ser apresentado num salão aeronáutico o projecto de um avião ultra-sónico, capaz de atingir os 5000 quilómetros por hora, e uma altitude de 32 quilómetros. De acordo com a notícia, este avião será capaz de ligar as cidades de Paris e Tóquio em duas horas e meia, em vez das onze que a ligação demora actualmente. Claro, que isso só vai acontecer em 2050, o que me deixa, de repente, cheio de inveja do futuro.

Depois lembrei-me de que o futuro é já hoje, aliás foi já ontem. Durante perto de 30 anos, entre 1976 e 2003, o Concorde fez voos regulares entre dois aeroportos europeus, Heathrow e Charles DeGaulle, e o aeroporto de J.F.K., em Nova Iorque, ao serviço de duas companhias aéreas, a British Airways e a Air France.

O Concorde foi, e sempre foi, um epítome de futuro, o sonho de ligar em voos supersónicos as maiores cidades do mundo, em metade do tempo que demoram os voos das carreiras normais. Até, é claro, ao dia funesto, em Julho de 2000, em que um acidente provocou a explosão de um avião quando levantava voo de Paris, provocando a morte de mais de cem pessoas. O número reduzido de bilhetes vendidos, em consequência do acidente, e a crise aeronáutica internacional após o 11 de Setembro, acabariam por ditar a descontinuidade das operações por parte das duas companhias.

Nunca tive, é claro, a oportunidade de viajar no Concorde. Mas um amigo meu londrino viveu durante muito tempo num andar superior de uma das torres habitacionais em Shepherd’s Bush, e fazia parte da rotina das visitas a sua casa (além de comer peixe assado e comida vegetariana) correr para as janelas quando ouvíamos o ronco distintivo do Concorde de cada vez que levantava voo de Heathrow.