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adeus a berlim
rosas
innersmile

Adorei o livro Adeus a Berlim, do Christopher Isherwood, que foi editado, numa edição muito bonita, pela Quetzal. Que já tinha editado o Homem Singular, pelo que podemos ter esperança de vir a ter mais títulos do Isherwood traduzidos e editados em português.

O livro é magnífico, muito bem escrito, com uma ironia poderosa e uma atenção quase obsessiva pelos pormenores e pelas personagens de que vai ser feita a passagem de Isherwood pela cidade de Berlim, entre 1930 e 1933. Claro que estão aqui presentes todas as personagens de Cabaret, o filme de Bob Fosse, e de I Am a Camera, o filme de Henry Cornelius que adaptou estas histórias de Berlim para cinema em 1955.

O que é mais fantástico no livro, para além do gozo da mestria narrativa do autor, é perceber como Isherwood vai tecendo os vários fios de que se faz a sua narrativa, sempre de uma forma eficaz e subtil, para que o relato da experiência pessoal do narrador (o próprio Isherwood, que o livro de faz das suas vivências pessoais), marcado pelo desejo do mundo e por um evidente mas nunca explícito olhar homossexual, vá dando lugar a um retrato eficaz de uma sociedade feérica e contraditória, vibrante e cheia de fragilidades, o cadinho onde, de forma progressivamente mais impositiva, vai surgindo o pesadelo nazi.

Já li o livro a semana passada, mas ainda não tinha tido ocasião de vir aqui escrever sobre ele. Aproveitei a leitura do livro para ver o filme I Am A Camera, de que falo acima, e para ver a adaptação que o Sam Mendes fez do musical, para o Donmar Wharehouse, de Londres, com o Alain Cummings no papel do MC. Esta encenação do musical veio de certa forma quebrar com a influência do filme de Bob Fosse, e marcar o tom para as produções posteriores da peça, nomeadamente a que o Diogo Infante encenou no Teatro Maria Matos, em Lisboa. Quer o filme de Henry Cornelius quer a gravação do Cabaret de Sam Mendes estão disponíveis no YouTube, em episódios.