?

Log in

No account? Create an account

how to be invisible
rosas
innersmile
Fui ontem a um jantar, que se realizou, creio, pela quinta vez, tendo eu estado presente em quatro dessas edições. O pretexto do jantar é reunir pessoas que lêem e comentam os blogs umas das outras. Acontece que algumas ou muitas dessas pessoas, são homossexuais. E por isso alguns dos temas das conversas andam à volta de temas que interessam aos gays, como o casamento ou a adopção. Ontem, por causa das eleições de hoje, houve muita discussão política (e inclusivamente uma sondagem ‘à boca do prato’ cujos resultados, estou convencido, anteciparam os resultados da eleição de hoje). Mas tudo, todas as conversas e discussões, são muito divertidas e descontraídas, e servem de pretextos para mandar bocas e dizer piadolas.

Foi um convívio excelente, que passou num instante, infelizmente para mim, porque o jantar foi na Amadora (no já habitual restaurante Guilho), e eu saí já passava da uma, para regressar a Coimbra. Muitos kudos e agradecimentos obrigatórios para o João, do blog Why Not Now, e para o Paulo e o Zé, do blog Felizes Juntos, que mais uma vez tiveram a trabalheira e a ‘massada’ (trocadilho intencional) de organizar o evento.

O melhor do jantar foi, como é de lei, estar e rever amigos, alguns dos quais com quem apenas contacto neste jantar. E melhor, ainda, e como também é mandatório, foi a boa disposição e a descontracção. Mas o melhor, logo a seguir, é a hipótese que temos, e que nos oferecemos, de estarmos juntos, a falar de temas que nos interessam, e de certa forma a celebrá-los, sem pesar sobre nós a circunstância de, por uma razão qualquer que nos ultrapassa, sermos diferentes da maioria das pessoas num aspecto que, aos olhos dos outros, pode parecer (e ser) tão importante e determinante. Essa sensação de estarmos a ser quem somos, por inteiro, e de sermos invisíveis aos olhos dos outros, e fazê-lo num passeio de uma rua sossegada de uma cidade anónima, é um privilégio que só a amizade possibilita.



election day
rosas
innersmile


«Um romance é sempre uma consequência da tua visão sobre a sociedade que nele conflui. E a minha é amarga e pessimista. Espanha é um país historicamente frustrado. Teve reis incapazes, aristocratas corruptos e bispos fanáticos. E hoje a classe política herdou tudo isso. É analfabeta, medíocre e qualquer visão do futuro que se atreva a ter está sempre condicionada pelas eleições seguintes. Conseguiram acabar com um Estado que levou 500 anos a construir. Quando falo com gente jovem do meu país e me pedem conselhos sobre o futuro, só lhes consigo dar duas hipóteses de escolha: ou aprendem inglês para que possam sair de Espanha ou aprendem a fazer um cocktail molotov.»

- Arturo Pérez-Reverte, em entrevista à edição de 27 de Maio de 2011 do suplemento Ípsilon, do jornal PÚBLICO.