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rosas
innersmile
Escrito nos muros:

'Mudos os tempos, mudas as vontades.'
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rolling in the deep
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A propósito de aeroportos, lembro-me de aqui há uns anos, ter passado umas horas em trânsito no Schiphol, o aeroporto de Amesterdão, que é um dos meus aeroportos preferidos (apesar de nunca ter saído dele: o Schiphol é a única coisa que eu conheço da Holanda, e é a prova de como um aeroporto, só por si, nos pode fazer gostar de uma cidade, e até de um país).

Já em 1998, quando ia a caminho dos Estados Unidos para uma estadia de três meses numa pequena cidade do estado do Wisconsin, tinha feito escala no Schiphol. Foram longas horas de espera, quer à ida, quer no regresso, que foi no dia seguinte ao do referendo do aborto, o que me fez analisar, às primeiras horas da manhã, minuciosamente os jornais escritos em neerlandês a tentar perceber qual tinha sido o resultado do referendo.

Mas estava-me a lembrar de uma outra escala, na Primavera de 2008, quando regressava, com um grupo de amigos, do Vietname. Tenho ideia de termos chegado muito cedo e de só termos ligação para Lisboa à hora de almoço. Consegui arranjar uma mesa num Starbucks, abasteci-me de uma sandes e de um mocka frapuccino (que renovei, é claro), e pus-me a escrever notas de viagem no meu caderninho (sim, era um Moleskine, mas é tão primeira década do século XXI nomear os famosos cadernos que o Bruce Chatwin encomendava de Paris e que agora se encontram à venda em qualquer loja de electrodomésticos francesa), pelo menos até o resto da excursão dar comigo e interromper-me a escrita, correndo com passageiros em trânsito de várias nacionalidades e inundando toda a esplanada do café.

O ponto deste texto é mesmo só contar que antes ainda de ir para o café, passei por uma loja do aeroporto e comprei o que era na ocasião o primeiro disco da Duffy, uma cantora creio que do País de Gales que foi possuída por vozes negras da soul. Eu só conhecia uma canção desse disco, e ouvi-o até à exaustão. Tanto, que quando deixei de o ouvir em modo de repetição, nunca mais fui capaz de o tornar a ouvir, até hoje.

Havia uma grande disputa entre a Duffy e uma outra cantora do género, a Adele. A pop inglesa é muito costumeira neste tipo de despiques, e recordo-me de que nos anos 80 havia uma revista, a Smash Hits, que vivia praticamente deles. A propósito da SH, abençoada revista, que foi onde os rapazes da pop começara a aparecer fotografados em trajes menores, para gáudio das adolescentes recém-chegadas à puberdade e dos homossexuais empedernidos.

Como eu gostava da Duffy e até tinha comprado o disco dela no aeroporto de Schiphol quando regressava de umas férias muito boas no Vietname (compreende-se a narrativa), desprezei por completo a Adele, não lhe liguei nenhuma. Agora fui surpreendido por um grupo de canções novas, muito poderosas, e uma voz quente, sensual e cheia de soul. Deixo aqui um clip de uma aparição da Adele no programa Later, do Jools Holland, enquanto vou ali ver se tropeço no disco dela.

Ah, sim!, porque este texto era sobre a Adele.