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os anagramas de varsóvia
rosas
innersmile

Mais um livro de Richard Zimler, Os Anagramas de Varsóvia (o quarto que leio dele, os outros foram, por ordem de leitura, À Procura de Sana, Confundir a Cidade Com o Mar, e O Último Cabalista de Lisboa). Gostei imenso do livro. Lê-se com o empolgamento de um thriller, que é de facto, mas com a gravidade de uma obra que denúncia a barbárie que foi o nazismo.

A parte substancial do livro situa-se no gueto de Varsóvia, e Zimler consegue transmitir com justeza, não só o que eram as condições brutais de sobrevivência no gueto, mas sobretudo como a guetização dos judeus não passou de uma fase preparatória do shoa, tendo nela já inscrita toda a implacável máquina de desumanização do genocídio.

A sobreposição destes temas é conseguida, sobretudo, fazendo inscrever a narrativa de elementos da cultura judaica, com referências à cabala, sendo os elementos fulcrais da acção apresentados sob a forma de anagramas.

Mas Os Anagramas de Varsóvia é mais do que uma história bem contada, com personagens bem recortados, e uma narrativa inteligente e intrigante. É igualmente uma obra que denuncia o esquecimento, a dissipação do passado, e que elege a palavra como a principal arma, não apenas da sobrevivência individual, mas da própria memória. Tal como o seu personagem defende, Zimler propõe que é preciso inventar novas palavras, ou uma nova maneira de as usar, para contar esta história e resgatar estes personagens do esquecimento branqueador.

Em suma, um excelente romance, cujo carácter de policial histórico em nada belisca, antes pelo contrário, uma vocação de intensa e profunda humanidade.