May 8th, 2011

rosas

source code 4*

Source Code não tem aquele impacto que tinha o anterior filme do Duncan Jones, Moon. Falta-lhe a economia de meios compensada com o trabalho minucioso da narrativa, e até o sentimento de paixão e entrega de que são feitos os filmes de culto. Mas apesar disso tem óbvias pontes para essa primeira obra de Zowie Bowie, nomeadamente o jogo entre realidades alternativas, o tema do retorno, e a solidão infinita do protagonista.

O que mais me agradou no filme, para além do aspecto lúdico, foi o modo como o argumento está construído, apresentando a situação do filme quase com a meticulosidade de um mecanismo de relógio, e de tal maneira que nunca perdemos o fio da narrativa, o que nem sempre acontece com estes filmes que gotam de 'mind games'.

Pela história o filme fez-me lembrar dois outros filmes. Por um lado o ainda recente Inception, de Chris Nolan, no aspecto em que o essencial da história se passa na mente do protagonista. E se por um lado o filme de Jones não tem aquela grandiosidade operática do filme de Nolan, tem a vantagem de a narrativa ser menos confusa. O outro filme que inevitavelmente vem à ideia é o já antigo Grounghog Day. Mas se é inevitável essa associação, pelo facto de haver uma repetição de momentos da vida, ela esgota-se apenas aí, nada mais liga os dois filmes.

Já vi o Jake Gyllenhaal em melhor papéis, o filme constitui ainda uma oportunidade de ver a formidável Vera Formiga numa interpretação segura e subtil (mais até do que o papel obrigaria). Também presente um outro actor de que gosto bastante, o Jeffrey Wright, mas aqui sem o brilhantismo de outros filmes.