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velhas fotografias
rosas
innersmile
A minha prima pôs no facebook uma fotografia do seu baptizado, em que aparece ao colo dos padrinhos, os meus pais. A fotografia está muito bonita, a preto e branco, e os protagonistas estão lindos, sobretudo o meu pai, que era um homem bonito e arranjado (nada como eu, que sou feio e baldas). É interessante, e um pouco complicado, olhar para essa foto, que foi feita em 1967, e ver os meus pais com mais de dez anos a menos do que a minha idade actual.

Apesar de nessa fotografia eles terem bastante menos idade do que eu tenho agora, o que eu vejo nela são duas pessoas mais velhas do que eu. E apesar de os meus pais hoje estarem bastante velhotes e fragilizados, e ser eu que sou responsável pelo seu bem-estar e já não o contrário, continuo a sentir em relação a eles uma espécie de relação hierárquica, como se o simples facto de serem mais velhos do que eu, de terem vindo primeiro, lhes desse uma espécie de precedência que tem tudo a ver com o sentimento de protecção que eles nos dão na infância.

Suponho que esse sentimento seja tão forte, seja tão aquilo que nos resguarda da vida e de tudo o que nela nos possa agredir, que nunca nos livramos dele, nunca deixamos de sentir que os nossos pais são aquilo que, no fim de contas, se interpõe entre nós e a morte. Por isso eu olho para aquela fotografia antiga, e não vejo apenas um homem e uma mulher, jovens e lindos. O que vejo nela são sempre os meus pais: o único colo onde me sinto suficientemente à vontade para encostar a cabeça e fechar os olhos.