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poly styrene
rosas
innersmile
No segundo post que escrevi aqui no innersmile falei dos X-Ray Spex (cfr. 31 de Julho de 2001). E está lá escrito que “a Poly Styrene nunca deixou de ser uma das minhas heroínas”. De resto, e como já contei aqui mais do que uma vez (cfr o dia 2007-09-22, e ainda noutra data que não quero identificar), foi a fazer uma pesquisa no Google sobre os X-Ray Spex que descobri o livejournal e decidi criar o meu próprio blog (só mais tarde descobri outras plataformas, como o blogspot). Já dediquei aos Spex uma entrada (cfr dia 2007-05-03), onde pus dois clips e chamei à Poly Styrene “chanteuse extraordinaire”. Até já citei uma canção deles a propósito de um filme do Harry Potter (crf. , 2001-12-03).

Li ontem, ao sabor dos acasos da net, que a Poly Styrene morreu na passada segunda-feira, dia 25, vítima de um cancro da mama diagnosticado em estado muito avançado. Não tenho muitos ícones da cultura pop, e nem sempre os meus são os mais óbvios, mas a Poly Styrene era definitivamente um deles. Desde sempre, ou pelo menos desde que ouvi vezes e vezes sem conta o álbum Germ Free Adolescent. Havia qualquer coisa de libertador nas canções e na voz da Poly, uma emoção, uma vontade feita de rebeldia e de alegria que, parafraseando a canção dos Smiths, ‘never goes out’.

Descobri, entretanto, um texto de um diário pré-livejournal, datado de 3 de Setembro de 1992 em que falo da Poly Styrene e dos X-Ray Spex. A parte que importa desse texto é a frase em que digo que me dava tanto prazer ouvir o disco naquela altura, como dava há uma data de anos, na altura em que ele saiu. E o ponto é que as canções do disco me continuam a dar tanto gozo agora como há vinte e há trinta e tal anos. E se, como digo no texto, teria sido óptimo ter sido um punk assumido, acho que só pode dizer alguma coisa em meu favor o facto eu ser um tipo quase com cinquenta anos e continuar a ouvir um disco punk, que ouvia quando tinha dezassete.

«Quinta, 3 Setembro 1992

"1977 And we are going mad 1977 And we see so many adds 1977 And we're gonna show them all that Apathy's a drug" . Poly Styrene e os X-Ray Spex. Vinha a falar da reedição de Germfree Adolescents na última Details. Estou a ouvir o álbum, numa gravação pré-histórica numa K-7 que é um verdadeiro milagre como ainda reproduz alguma coisa (do outro lado, outra pérola: o primeiro album -branco- dos B'52). Se há um disco que podia simbolizar o meu sétimo ano do liceu, os meus 17 anos, é este dos Spex, que era do PE, e que eu ouvi um número infinito de vezes. É curioso que na fita que sobra da K-7 ouve-se um resto de uma aula (de filosofia) do Propedêutico, gravado em directo da TV, com alguns comentários meus, do A. e do T. pelo meio.

Agora devia seguir-se um comentário sobre a velhice. A verdade é que me está a dar tanto prazer ouvir aquilo agora, como dava há uma data de anos.

Apesar de eu estar sempre a dizer que gostava de ter hoje 17 ou 18 anos (um raio de uma idade que não me apetecia ultrapassar), porque acho que agora as coisas são bem mais interessantes do que era 'back when', tenho de admitir que há algumas memórias impecáveis. Aliás devo de ter sido das poucas pessoas que, se calhar graças ao A. e a outros tipos, se divertiram nos finais da década de 70, uma altura em que, como se sabe, as pessoas não se podiam divertir.

Aliás, acho que uma das poucas mágoas (poucas, mas boas) que tenho desse tempo, é a de nunca ter sido um punk assumido. Tinha sido óptimo.»


Como já tinha posto aqui outros clips do Spex, nomeadamente o Germ Free Adolescents, que é a minha canção favorita deles, e o The Day the World Turned Day-Glo, escolhi pôr este com uma gravação ao vivo da canção Oh Bondage, Up Yours!, que foi a primeira a ser gravada pela banda, e que era um verdadeiro hino do movimento punk.