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patricia barber
rosas
innersmile
Um belo final de dia, ontem no Porto. O pretexto era ir à noite à casa da Música, a um concerto da Patricia Barber. E que excelente pretexto.

Foi um dos melhores concertos a que assisti, quer pela excelência da música, quer pelas performances dos músicos, quer pela oportunidade de assistir a uma prestação muito pura, muito essencial. Aquilo que é primordial no jazz não anda muito longe do que assistimos ao longo de pouco mais de uma hora. Aliás, a única coisa a lamentar foi mesmo o concerto ter sido tão curtinho, mas quando se participa de uma coisa tão celebratória e intensa, o facto de ter sido curto não diminui o nível de prazer.

Além da PB, participaram no concerto músicos que a tem acompanhado, quer ao vivo quer em gravações: o baterista Eric Montka, o guitarrista Neal Alger, e o baixista Larry Kohut, que toca habitualmente com Alger. A interacção entre os músicos é uma das particularidades dos concertos de jazz, e neste caso isso foi um dos pontos altos da noite. Músicos que se conhecem muito bem, muito entrosados, mas que estão muito disponíveis para se ouvirem uns aos outros. O meu preferido foi o guitarrista, que fraseado, que ‘fingering’, um exercício de virtuosismo, é certo, mas muito subtil e discreto, sempre a provocar e a estimular a nossa atenção e a nossa imaginação.

Antes do concerto tínhamos ido a Serralves. Duas exposições, uma de projecções de filmes dedicada à coreógrafa americana Trisha Brown, e outra do artista plástico José Barrias, uma mistura de desenho, pintura, instalação. Gostei particularmente de uma sala organizada tipo gabinete de curiosidades, objectos muito diversos coleccionados ao longo dos anos pelo artista, e cujo conjunto nos faz ter a impressão de estarmos a entrar numa sala mágica.

Também jantei em Serralves, e gostei bastante. Aqueles pratos com nomes intermináveis (a descrição do meu prato dizia, no meio do informe, que era ‘abrandado nos seus sucos’. Gosh!, nunca pensei comer uma coisa abrandada nos MEUS sucos!), e depois uma ‘coisinha assim’ no meio do prato. Mas a verdade é que não fiquei nem com fome nem empanturrado, a confecção é muito simples, e o jogo dos sabores é delicioso, distinguem-se todos os paladares, e o palato parece que fica com esses sabores todos registados, mesmo depois de termos terminado a refeição. Uma experiência muito interessante.

Passei o concerto todo a pensar numa canção do cd The Cole Porter Mix, Snow, que é um dos originais que a Patricia Barber gravou nesse disco. É uma daquelas canções que, para parafrasear uma canção do Cole Porter, gets under my skin. Como não encontrei nenhum clip decente com a canção, fiz um, com fotografias que tirei a semana passada, em São Pedro de Moel.