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mercurocromo
rosas
innersmile
Água oxigenada, mercurocromo e sulfamidas. Assim se tratavam as feridas, quando eu era miúdo. As feridas nos braços ou nas pernas, as mais comuns, por causa das brincadeiras. A água oxigenada era o mais complicado: ardia muito nas feridas acabadas de fazer, mas fazia uma espuma branca que era divertida. Punha-se água oxigenada, começava a arder, e depois assoprava-se sobre a ferida para passar o ardor. Depois, com um algodão embebido em mercurocromo, pintava-se toda a zona da ferida. A seguir deitavam-se sulfamidas, um pó branco que, dizia-se, ajudava a ganhar crosta. Se se justificava, fazia-se um penso por cima, com gaze e adesivo. Mas o penso saltava depressa, a ferida ao ar livre ajudava a secar e era mais excitante. A crosta era a parte mais divertida da ferida, entretém para uma tarde, a levantar com as unhas pedacinhos da crosta. Quando a ferida ainda não estava sarada, começava a deitar sangue e ficava-se à espera que ganhasse crosta novamente. Quando finalmente a crosta saía toda sem dificuldade, ou caía por si, a ferida estava sarada.