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innersmile
Aqui há uns anos houve uma altura em que a minha vida profissional esteve um bocado em baixo, puseram-me na prateleira, com funções muito limitadas e que me davam muito pouco trabalho. Ou seja, tinha pouco que fazer e muito tempo disponível, mesmo durante as horas de expediente. Como nem tudo é mau, e quando a vida nos dá limões devemos aproveitar para fazer limonada (e o que eu adoro limonada), durante essa fase tinha muita disponibilidade para escrever, muitos textos, contos e poemas, que ía pondo aqui no innersmile. Para mais, a situação dava-me aquela pontinha de mal-estar que, devo confessar, e pelo menos no meu caso, me espevita muito a criatividade.

Esse período aconteceu algum tempo depois da minha primeira ida a Moçambique, em Janeiro de 2003, um regresso à terra onde nasci e onde vivi a infância e parte da adolescência, e que foi um dos factos mais importantes da minha vida de adulto. Muito do impacto que esse regresso teve, reflectiu-se numa enorme necessidade de escrever sobre o assunto, para segurar impressões e sentimentos, mas também para me ajudar a reflectir, e a encaixar, o tumulto de emoções que essa estadia, de perto de três semanas, me provocou.

Quando a necessidade de escrever sobre a matéria se esgotou, coincidiu mais ou menos com essa fase de desmotivação profissional. Aproveitei o tempo e a disponibilidade, organizei esses textos, e contactei com muitas editoras nacionais, para os submeter a uma possível edição. Apesar de ser muito critico, tinha consciência que os textos não eram maus, e que havia alguns, ou pelo menos algumas linhas, que eram boas, interessantes, que diziam de facto alguma coisa, que acrescentavam em vez de meramente se limitarem a repetir. Claro que levei tampa de todas elas, apesar de umas poucas se terem até mostrado interessadas. Algumas propuseram-me mesmo edições em que eu teria de suportar parte dos custos, o que não me pareceu razoável, dado que a minha felicidade (e a minha higiene mental) não estava assim tão dependente de publicar um livro. Uma das editoras mostrou-se muito interessada, e chegou mesmo a pedir-me para concorrer com a obra a um daqueles prémios estatais de apoio à edição.

Entretanto a minha vida profissional mudou, para melhor, depois tornou a mudar para melhor ainda, e eu passei a escrever menos e a ocupar-me ainda menos com essa vontade de publicar esses textos. Com o aparecimento dos sites de 'self-publishing', de vez em quando lembrava-me de que essa seria uma boa oportunidade para me ver livre dessas coisas que tinha escritas e organizadas. Pelo menos têm a vantagem de não ter de suportar custos nenhuns, só os dos livros que me apetecer comprar. Como, apesar de eu ser muito nabo, estas coisas são sempre muito fáceis, num destes serões a coisa fez-se: um ficheiro pdf, uma capa com uma foto que eu tinha tinha tirado na Ilha de Moçambique, 'et voilá', está o livro feito e intitula-se ILHA.

Está aqui neste link abaixo. Pode ser encomendado (6 euros mais os portes, que são uma escandaleira!) ou pode ser descarregado gratuitamente. Para se ver como sou generoso, escolhi o download sem custos (podia ter pedido um preço, mas nesse caso suponho que ninguém se ia dar ao trabalho) e o preço do livro é praticamente o de custo imposto pelo site. Só mais uma coisa, e tenho de ser franco: se alguém se der à maçada de ler, gostava de ter retorno, de saber se gostaram, se aquilo faz algum sentido, essas coisas. Só isso.