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innersmile
Aqui o innersmile não se prende muito a agendas, primeiro porque sou um bocado desatento da actualidade dita noticiosa, e depois porque, essencialmente, só escrevo sobre o que me apetece, e quando consigo definir algumas ideias em relação aos assuntos. É por isso que muitas vezes falo nas coisas muito atrasado, quando elas já estão a desaparecer do espaço mediático ou da net, E também é por isso que não ligo muito a efemérides. Mas, claro, há efemérides e efemérides.

E no Sábado passado, dia 26 de Março, assinalou-se uma imperdível: fez 100 anos que nasceu Tennessee Williams. O innersmile tinha obrigação de ter assinalado esta efeméride, pelo muito que eu devo ao TW. Foi seguramente dos primeiros autores que li com a certeza de que muito do que ele escrevia tinha a ver com a sua orientação sexual.

E se a minha aproximação ao universo de TW foi feita através dos filmes adaptados das suas peças mais conhecidas (Um Eléctrico Chamado Desejo, A Noite da Iguana, Bruscamente no Verão Passado, Gata Em Telhado de Zinco Quente, The Glass Menagerie ou Sweet Bird of Youth), ele foi talvez o único dramaturgo cujas peças li, se não todas, pelo menos as principais, e muitas delas no inglês original. Infelizmente não foram muitos os espectáculos que vi ao vivo com encenações das suas peças, mas tento sempre ver as que se cruzam comigo, ou então fico-me a penalizar quando por alguma razão perco uma peça. Assim que me lembre, e sem consultar notas, vi em Londres uma produção de Sweet Bird of Youth, vi em Eau Claire, Wi, nos EUA, uma produção de The Glass Menagerie por um grupo de teatro universitário (e lembro-me de que estava com uma dor de dentes terrível), vi em Lisboa The Rose Tatoo, encenada pelo Filipe La Feria, no Teatro Politeama, e, mais recentemente, Um Eléctrico Chamado desejo, no Nacional, com encenação do Diogo Infante.

Além dos textos das peças, li tudo aquilo a que consegui deitar a mão, mais recentemente um fabuloso volume de Memórias, que deve ter sido, dentro desse género, das coisas mais extraordinárias que eu já li. E li tudo o que encontrei sobre a vida e a obra de TW, coleccionei artigos sobre ele. Claro que com o aparecimento da net, deixou de fazer sentido este gesto coleccionador, porque a informação passou a estar disponível em permanência. Mesmo assim, suponho que o TW ocupe uma parte muito significativa do tempo que passo na net, à procura de textos, de fotos, de referências, etc.

Fascina-me o universo de Tennessee Williams, um certo excesso emocional, personagens muito rasgadas pela sua dificuldade em cederem ao seu próprio desejo, e consumidas pelo seu próprio inferno. Interessa-me a forma conturbada, e perturbada, como a homossexualidade de Williams está presente nas suas peças, umas vezes de forma mais subtil, outras de modo mais explícito, mas quase sempre de maneira atormentada e sofrida. Fascinam-me os actores dos seus filmes, sempre muito belos e intensos, o Marlon Brando, a Vivien Leigh, o Paul Newman, a Liz Taylor, o Montgomery Clift, entre outros, tudo gente muito bela, mas cuja beleza é fulgurante e destrutiva como uma labareda.