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copacabana 3*
rosas
innersmile
Que luxo: a semana passada Catherine Deneuve, esta semana Isabelle Hupert. Eu acho que a Hupert é neste momento a melhor actriz do mundo, quando muito reparte o pódio com a Meryl Streep.

Copacabana, realizado por Marc Fitoussi, é um filme muito simples e pouco ambicioso: uma comédia ligeira acerca de uma mulher incormformista que um dia se vê no sério risco de perder o amor da filha, que tem vergonha das extravagâncias da mãe. O ponto é que o filme me comoveu muito, ou melhor, comoveu-me a personagem de Babou, e muito por causa do que a Hupert consegue emprestar à personagem. Uma certa vulnerabilidade, uma fragilidade, que lhe advém do facto de ser uma pessoa livre, no sentido em que se determina pouco pelas convenções sociais. Lembrei-me de pessoas que conheço, pessoas que são irresistíveis, que me despertam um forte instinto protector, mas que ao mesmo tempo são pessoas de difícil convívio, precisamente porque cedem pouco, por desatenção ou por mera incapacidade, às conveniências do tráfego social.

Mas Babou tocou-me ainda pela sua resiliência, pela capacidade de se determinar, e mesmo de se ultrapassar, quando estão em causa coisas que lhe são verdadeiramente importantes. E ainda pela maneira como persegue um sonho (o Brasil, o que pretexta uma belíssima banda sonora), sem ser obstinada mas sem nunca desistir daquilo que ela acha que pode ser a sua hipótese de felicidade. Em suma, apesar de reconhecer que não se trata de um grande filme, gostei imenso de o visionar, sobretudo porque esta Babou da Isabelle Hupert foi um verdadeiro coup-de-foudre.
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