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the adjustment bureau 4*
rosas
innersmile
Fui ver o filme The Adjustment Bureau (que entre nós passou com o título Os Agentes do Destino) pela única razão de ser baseado (ainda que bastante livremente) num conto de Philip K. Dick (o cinema tem uma relação feliz com as histórias do autor de, entre outros, Blade Runner, Minority Report ou Total Recall). E gostei bastante do filme. Quer dizer, tem uma coisa um bocadinho irritante, que é um enfoque romântico muito acentuado, que, por vezes, nomeadamente no final, desemboca mesmo na xaropada cor-de-rosa. Mas tirando isso é um filme muito bem construído, quer do ponto de vista narrativo, quer ao nível dos aspectos mais artísticos, tipo cenários, guarda-roupa, adereços, e uma banda sonora muito boa. O filme tem uma certa qualidade arquitectural que me agrada muito, é um filme de espaços, de planos (tinha de ser, não é?), de edifícios; o filme organiza-se quase como se fosse um daqueles conjuntos de plantas de arquitectura e engenharia. Enfim, uma delícia.

Além disso aborda um tema muito interessante, que é o de saber se a nossa vida obedece a um plano previamente estabelecido por uma entidade superior (podemos chamar-lhe Chairman, Deus, ou, o que vem muito a propósito, o Grande Arquitecto), ou se, pelo contrário, somos nós mestres e comandantes das nossas vidas, armados com essa ferramenta única que é o livre-arbítrio. Por outro lado, e pela maneira como a narrativa está feita, o filme pode ainda ter uma outra leitura, menos metafísica, digamos, e mais política. Com efeito, há momentos do filme que referenciam para um certo clima de paranóia securitária que tem muito a ver com os anos 50, e que põem em confronto a liberdade individual e a necessidade de planificação associada aos totalitarismos. Agora, o que é interessante é que estes temas estão presentes no filme, são por assim dizer, o seu sumo, mas o filme nunca se perde, e é sempre uma aventura empolgante e divertida.

Só para dizer ainda que a Emily Blunt é uma delicia e que o Matt Damon está num momento fantástico da sua carreira. Assim em pouco tempo, foram três papéis muito bons, em The Hereafter, de Eastwood, em True Grit, dos irmãos Coen, e neste filme, que constitui a estreia na realização de George Nolfi.
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