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ler, e ouvir
rosas
innersmile


É a fotografia da prateleira de baixo da estante da sala: 100 edições da revista Ler, cujo número 100, em destaque, à frente, acaba de ser publicado. Tenho-as todas, e ocupam praticamente uma prateleira inteira, o que me leva a pensar na maneira como as irei a arrumar daqui a dois ou três números. Talvez devesse parar de a comprar, ou ao menos de a coleccionar (deve ser sinal da velhice: começa a ocupar muito tempo no meu espírito o destino que terão as minhas coisas um dia, quando eu morrer).

Gosto muito da revista, sempre gostei, sempre a li com muita atenção, e devo-lhe muito. As alturas da minha vida em que li mais poesia tiveram sempre a ver com a coluna que o Eduardo Pitta manteve na revista, durante muitos anos, dedicada à poesia, O Som & A Fúria. A maneira como a Ler alimentou a minha paixão pelo José Cardoso Pires. O reencontro com Rui Knopfli, numa entrevista feita pelo Francisco José Viegas, e as fotografias publicadas por ocasião da morte do poeta.

Francamente, tenho gostado menos desta fase mais recente, em que a Ler é editada mensalmente. Preferia a edição trimestral: a revista era mais substancial, o grafismo era sumptuoso, a expectativa era sempre alimentada pelo tempo da espera. Agora está muito magazine, muito levezinha, muita palha para encher o número de páginas de cada edição. Confesso que houve edições, desta fase mais recente, em que praticamente apenas a folheei, e li pouco mais que dois ou três artigos.

Passei a tarde a ler a Ler, e a ouvir dois álbuns de música (apesar de Georges Steiner, na extraordinária entrevista publicada neste número 100, dizer que uma das regras para se ler é o silêncio, que inclui, ou seja exclui, a música), a banda sonora do filme Somewhere, da Sofia Coppola, e um disco fantástico, We're New Here, um álbum de remisturas feitas por Jamie Smith, dos The XX, a partir do mais recente disco de Gil-Scott Henton.