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memória
rosas
innersmile


Ando deliciado a ler as Memórias de Rómulo de Carvalho. São quinhentas páginas de uma mancha gráfica densa e um tipo de tamanho pequeno, e eu ainda agora cheguei às duzentas. Pensei que ia ler o livro aos poucos, entremeando outros pelo caminho, mas a verdade é que me está sempre a fugir o pensamento para o livro e para a vontade de o ler.

As primeiras cento e poucas páginas, as que cobrem a infância de Rómulo, passada num quarto andar da Rua do Arco do Limoeiro, em Lisboa, são um deslumbre. Não apenas pelas recordações de infância e pelas histórias que conta (e pelo tom, e pela linguagem), mas também pela riqueza histórica do seu relato, pela reconstrução viva e minuciosa do que era a vida doméstica da pequena burguesia lisboeta no princípio do século XX, nos anos da I República. Acho que nunca tinha lido um livro que me ajudasse a fazer uma recriação tão impressiva do que era a vida de todos os dias nesse tempo.