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baixa
rosas
innersmile
No Domingo estava sozinho com o meu pai e, como estava um tempo muito bonito, decidi ir com ele almoçar ao restaurante do Jardim da Manga. Houve uma época, há uns anos, em que íamos os três lá almoçar, religiosamente todos os Domingos. Depois, quando se agravaram as dificuldades de mobilidade da minha mãe, deixámos de lá ir. Foi bom regressar e matar saudades. Nomeadamente das pessoas, que se lembravam de nós e que me ofereceram um café para assinalar a visita. Sempre gostei muito de ir lá comer, apesar da qualidade ser da comida ser meramente funcional. Mas lembro-me da primeira vez que lá fui almoçar, andava no sexto ano do liceu (aquilo que é hoje o 10º), e fui com alguns colegas de turma e a professora de filosofia (o programa era de psicologia, filosofia era apenas no 7º) para assinalar o final do ano lectivo. Talvez seja essa recordação dos meus dezaseis anos que ainda hoje me faça gostar de lá ir, experimentar sempre aquela sensação de que ir almoçar à Manga é uma coisa especial.

Depois do almoço, e como só podíamos ir ao hospital depois das cinco, e antes de virmos para casa (cada um para a sua) fazer uma sesta, lembrei-me de dar uma volta pela baixa. Quando chegámos à Praça 8 de Maio, em vez de subir pela Visconde da Luz, decidi virar na direcção contrária e seguir pela Rua Direita, em direcção ao Arnado. Quando vim viver para Coimbra, em finais dos anos 70, passava lá muito. Descia do trólei (o 5, que apanhava ao lado da igreja de São José) em Santa Cruz e ia pela Rua Direita ter com os meus pais, que trabalhavam na Simões de Castro. A rua tinha má fama, dizia-se que era antro de prostituição, mas francamente só me lembro de lá haver tascas, umas mais manhosas do que outras, um ou outro barbeiro, e umas lojas de um comércio fraquíssimo. Era uma rua incaracterística, sem graça, curta, curva e de passagem apressada, a fazer jús ao nome, que vem de ser não direita como uma linha recta, mas directa na ligação das portas ao centro da cidade.

Mas há anos, séculos!, que não passava pela Rua Direita. Bem, que degredo. A metade da rua que fica do lado da Praça 8 de Maio é uma ruína, a cair literalmente aos bocados. Suponho que era por aqui que passava o projectado metro, e por isso o abandono. Como as obras do metro ficaram suspensas pelos vistos ad eternum, a ruína ficou para exposição. A metade da rua mais próxima do Arnado tem alguns prédios reconstruídos, e até nem tem tão mau aspecto como isso, mas estava pejada de pessoal da droga, em grupinhos, a discutirem uns com os outros. Uma miséria. Até tive receio de que viesse a rusga e lá iamos eu e o papá para a esquadra! Talvez fosse de ser Domingo, lojas e escritórios fechados, e aquilo estar deserto de moradores e transeuntes, mas estava realmente com mau aspecto.

Conclusão, metemos pelo Terreiro da Erva, só animado por um único restaurante aberto, e regressámos pela Rua da Sofia, outra rua com nome interessante, que lhe vem de ser a rua onde ficavam os colégios das ordens religiosas, ou seja onde estava sediada a sabedoria, a 'sophia' (como em 'filosofia'), e que são praticamente todos os edifícios do lado esquerdo da rua para quem vem do Arnado em direcção a Santa Cruz. A Rua da Sofia, diga-se de passagem, também tem um ar bastante degradado, mas os prédios sempre se vão mantendo de pé, há lojas, um ou outro café, e a clássica montra da livraria Casa do Castelo, ao lado do prédio, que me pareceu devoluto, onde ficava antigamente a CDL, uma distribuidora de livros creio que ligada ao PCP, onde nos meus tempos de caloiro universitário, ia comprar livros muito baratos.