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rómulo e antónio: memórias
rosas
innersmile


Passei hoje ao fim da tarde pela livraria para ir buscar um livro que tinha encomendado no domingo: as Memórias, de Rómulo de Carvalho. Professor e homem de ciência, Rómulo de Carvalho é igualmente, para quem não sabe, o poeta António Gedeão, cujo poema mais conhecido é a Pedra Filosofal («eles não sabem que o sonho...»).

Tenho desde a infância uma grande admiração por Rómulo de Carvalho, cujo nome aprendi nas capas dos livros de divulgação científica, sobretudo sobre física e química, que eram do meu irmão (Física Para o Povo, era um deles). Acho que ainda deve haver algum desses livros em casa do meus pais, vindos na mala de livros que eu trouxe de Moçambique. Depois, adolescente, aprendi a gostar dos poemas de Gedeão, um gostar todo feito de emoção e carinho, mas também de música. Não só a música das canções que adaptaram poemas seus, mas a própria música das palavras nos poemas de António.

Estou feliz a contemplar as capas duras do livro (edição da Fundação Gulbenkian), a admirar o fac-simile com a letra certa e harmoniosa (e tão clara e legível) que Rómulo de Carvalho conservou até dias antes de morrer: escreveu pela última vez nas Memórias (todas manuscritas em folhas pautadas de papel amarelado) no dia 5 de Fevereiro de 1997, deixando em branco a data da sua morte, que seria a 19 do mesmo mês; contava então 90 anos (nasceu a 24 de Novembro de 1906).

Estou a ler um outro livro, já vou a mais de meio e quero terminá-lo, e entretanto tenho outros livros que quero ler. Mas não resisto a ir lendo trechos destas Memórias. Foi o que passei o serão a fazer (e, já agora, a ouvir um cd duplo da Miriam Makeba que o meu amigo Zé me deixou ripar). E acho que este livro é daqueles para ir lendo devagar, levando-o tranquilamente através dos dias. Ou então não, e será daqueles para ler com a vertigem do que não pode esperar.

Mas seja como for, sinto-me feliz e mais rico por ter este livro comigo, aqui em casa. E há razões para isso: meia-dúzia, se tanto, de páginas lidas e já aprendi uma coisa: que temos 32 tetravós (sim, 2 pais, 4 avós, 8 bisavós, 16 trisavós e 32 tetravós), e que os tetranetos são os filhos dos netos dos nossos netos (sim, somos pais dos filhos, avós dos netos, bisavós dos filhos dos netos, trisavós dos netos dos netos e tetravós dos filhos dos netos dos netos). E tudo isto porque as Memórias de Rómulo de Carvalho são escritas sob a forma de um relatório dirigido aos seus tetranetos. Por isso, e também porque na primeira linha do manuscrito, Rómulo de carvalho começou por se dirigir aos tetranetos como os netos dos netos, e depois deve ter reparado no lapso e intercalou em sobrelinha "filhos dos".

Não é fantástico começarmos a ler um livro, ainda não termos passado da primeira linha e já estarmos a aprender?
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