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something good
rosas
innersmile
Passei a manhã no interior do café da livraria a ler e a ver quem passava, mas sobretudo a invejar quem estava na esplanada, ao sol, de manga curta. Não me atrevo a pôr-me assim ao sol no inverno, ficava logo com uma sinusite de caixão à cova. Acho que é das coisas que acho mais injustas, esta de não poder apanhar sol na moleirinha no inverno.

De saída, comprei um cd. Já não me lembro da última vez que tinha comprado um cd. Nos últimos tempos, ou ouço coisas já antigas ou 'arranjo-as' na net (adoro eufemismos!) Comprei um cd duplo, Love Songs, do Brad Mehldau e da Anne Sofie von Otter. O primeiro cd são sete composições de Mehldau, escritas propositadamente para von Otter, encomendadas pelo Carnegie Hall de Nova Iorque. O segundo cd é um conjunto de temas da música popular, de extracção francesa e americana: Léo Ferré, Barbara, Brel, Michel Legrand, Joni Mitchell, Richard Rodgers, Lennon-McCartney, Bernestein, entre outros.

Eu gosto muito do Brad Mehldau e tenho uma série de cd’s dele (ok, do tempo em que comprava muitos cds), e até já o ouvi uma vez ao vivo na Casa da Música. Também tenho um cd da Anne Sofie von Otter a cantar temas dos Abba, que é um dos meus discos preferidos. estou a gostar muito deste cd, e nem me consigo decidir qual dois cds prefiro, apesar de ser mais fácil ouvir o segundo, o que tem versões de canções já conhecidas. A voz da von Otter está belíssima, é de uma afinação perfeita, e, acho eu, tem a vantagem neste disco de dar mais lirismo ao pianismo do Mehldau, que tem tendência a ser um bocadinho cerebral (excepto, diria, quando faz versões dos Radiohead, mas isso é outra conversa).

Uma das canções do segundo disco é uma das minhas all time favourites, a Something Good, do Richard Rodgers para a banda sonora do filme Sound Of Music. Já aqui escrevi sobre essa canção (link), a propósito do filme Música no Coração, mas sobretudo da versão inspiradíssima que o Caetano Veloso fez dela, no disco A Foreign Sound. Esta versão da Anne Sofie von Otter é too good to be true, até dá vontade de chorar como é que uma coisa pode ser assim o epítome da beleza. Como não há no YouTube, um dia destes hei-de fazer um clip para a pôr aqui.

O site do Brad Mehldau tem uma página dedicada ao disco (link)