February 5th, 2011

rosas

franz nas portas do sol

Conheço razoavelmente a discografia dos Kraftwerk, banda de que sou grande fã desde um longínquo verão, em 1977, tinha eu 15 anos, em que ouvi obstinadamente o disco Radio-Activity. Tenho esse disco em vinilo, comprei o cd e tenho-o em formato digital no leitor de mp3. É um dos discos da minha vida, e sempre achei que, apesar de gostar imenso da maior parte dos discos da banda, esse era o meu disco preferido dos Kraftwerk. O tema que fecha o disco, Ohm Sweet Ohm, é para mim quase uma espécie de mantra, que consigo pôr a tocar mentalmente quase com a mesma eficácia como se o estivesse de facto a ouvir.

No entanto sempre achei que o melhor disco dos Kraftwerk não era o Radio-Activity, mas o álbum que o antecede na discografia da banda, o Trans-Europe Express. Ultimamente tenho ouvido muito este disco, e quanto mais o ouço mais gosto dele. É magistral, nele a banda atinge o ponto perfeito da síntese entre a abstracção da electrónica e a corporalidade da música de dança, e tem ainda essa capacidade um pouco mágica de evocar de maneira muito impressiva universos que ainda não conhecemos. Duas das canções do disco são absolutamente perfeitas, o tema título, e a faixa de abertura, Europe Endless.

Mas quase no fim do disco há uma faixa um pouco estranha, em que a abstracção sonora de que falei anteriormente é absoluta, quase que parece um interlúdio, mas é um interlúdio que dura mais do que a suposta brevidade que deveria ter. Ouço esse tema e fico quase hipnotizado, dentro, não propriamente de um sonho, mas duma fracção tão isolada de um sonho que não sou sequer capaz de perceber o que é que se está a passar. Há muito que andava à procura de um tema musical para fazer um clip com pequenas sequências de imagens que tinha feito em Madrid, quando lá estive em Dezembro passado. Hoje de manhã estava de novo a ouvir o Trans-Europe Express e percebi que finalmente o tinha encontrado.