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you will meet a tall dark stranger 4*
rosas
innersmile
A cinematografia do Woody Allen (Vudi Gallan, na versão germânica) é assim como aquelas fitas dos eléctro-cardiogramas: vista de perto tem altos e baixos, mas à distância parece uma linha razoavelmente uniforme. You Will Meet A Tall Dark Stranger parece colocar-se harmoniosamente nessa linha. Se está longe dos momentos gloriosos do realizador, também não cai no grupo dos menos conseguidos. Mas atenção, que dizer que se trata de um filme mediano, no caso do WA (VG, no acrónimo germânico) é dizer bastante. Há uma fasquia, um patamar abaixo do qual sabemos que nunca vamos cair.

No geral, é um WA mais desanimado o que aqui nos surge, mais desesperançado da bondade humana, descrente dos seus fellow humans. Neste aspecto, no de uma certa erosão moral, este filme aproxima-se um pouco de Match Point, mas com uma diferença: enquanto em MP persistia uma certa ambiguidade (ainda que totalmente dependente do acaso: para que lado da rede vai cair a bola de ténis?), em YWMATDS já sabemos para que lado da rede a bola caíu, e o espectáculo não é bonito de se ver. A única personagem que não se afunda no pântano da sua maldade, ou da sua falta de escrúpulos morais, é aquela que, como o filme nos diz, prefere a ilusão ao remédio.

De resto, o filme está muito sincrético, muito cortado à faca, não há momentos mortos, com um argumento muito cirúrgico. A cidade de Londres, de novo, a servir de cenário, mas sempre daquela maneira muito pouco turistica com que Allen filma as cidades, sem prestar atenção aos landmarks, e mais como se a história emanasse das próprias ruas. Esta ideia de que a arquitectura é apenas o lugar onde surgem e se desenvolvem as histórias é muito interessante, e típica nos filmes de Allen. Finalmente, para quem passa o filme a tentar descobrir qual das personagens esconde a persona do próprio realizador, eu diria que, apesar de muito disfarçado, está na personagem do Anthony Hopkins: há um momento, já para o final, em que o realizador trai o actor e, numa discussão com a sua namorada, põe-no a fazer aquele gesto com as mãos abertas para cima, os braços dirigidos para a frente e dobrados pelos cotovelos, muito característico do Allen actor.
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glee again
rosas
innersmile
É certinho: todos os domingos à noite, quando acabo de ver o episódio da Glee na TV, apetece-me vir aqui escrever que adoro a série, que ela é fabulosa e tal. Já aqui escrevi uma vez que aquilo que mais gosto na série é da escolha das canções, como elas são sempre perfeitas, como se adaptam justinhas à narrativa, e ao mesmo tempo a comentam e fazem progredir (se não foi isto que eu escrevi da outra vez, há-de ter sido qualquer coisa do género). É incrível, um tipo está a ver o episódio, de repente arranca uma canção, há sempre um momento de surpresa (mas como é que estes gajos se foram lembrar disto!) e depois segue-se uma espécie de euforia quando percebemos que aquela é de facto a canção certa, não podia ser outra. E isto ao ritmo de seis ou sete canções por episódio. É obra! Por isso não se admirem se todas as semanas tivermos aqui uma 'glee entry'.

O episódio de ontem, dedicado aos 'duetos', teve ainda, para além das canções, a circunstância de se ser um dos episódios mais gay que me lembro de ver. Desde beijos lésbicos a discussões acerca do Kurt dar em cima dos rapazes e amedrontá-los, até ao dueto a solo do Kurt com uma canção do filme Victor/Victoria. Queer até dizer chega. A coisa promete, tanto mais que para esta temporada anuncia-se um episódio dedicado ao Rocky Horror Show, e a entrada em cena de um gay teenage heartthrob para fazer companhia ao Kurt (e cujo clip tirado da série já andou por aí a rolar nos iutubos).