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este país é para velhos?
rosas
innersmile
Isto pode não ter grande importância, mas fez-me um bocado de impressão a quantidade de comentários que li e ouvi, a propósito da vitória do Cavaco nas eleições de Domingo (tell me something new), relacionando a elevada abstenção e o facto os velhos terem ido todos votar e de terem votado Cavaco. Desconheço estatísticas que relacionem a idade dos votantes com o sentido de voto, e por isso acho que tal opinião só pode ter mesmo a ver com a perspectiva, e os preconceitos, dos seus autores.

É verdade que quando fui votar, na maior assembleia de voto de Coimbra, a maior parte das pessoas que vi eram velhos (eu próprio, enfim...). Mas não percebo porque é que se infere de imediato que isso significa necessariamente votos no Cavaco. Porque os velhos são conservadores, logo de direita? Porque o Cavaco lhes apela a valores mais tradicionais, como a poupança ou o valor do trabalho? Não tenho nada a certeza de que os velhos sejam todos de direita. Eu diria, sem ter dados para isso, que a maior parte dos velhos, porque têm memória e idade para a ter, votarão no PS, para já não falar nos do PC, que, toda a gente diz, é um partido de velhos caducos. E afinal de contas, os velhos de hoje eram adultos no 25 de Abril. Pensando bem, até foi a geração deles que o fez.

Ao invés de se achar que o Cavaco ganhou porque a abstenção foi alta e só os velhos é que votaram e os velhos votam no Cavaco, podia inferir-se, sei lá, que os velhos têm maior sentido cívico do que os novos; e que se calhar se lembram de um tempo em que não podiam votar e por isso não desperdiçam as oportunidades que a democracia lhes dá. Ou mesmo que como não têm nada para fazer, ir votar é uma alternativa a passar a manhã na palheta no centro de saúde ou na leitaria do bairro.

Uma coisa é inegável: Portugal é cada vez mais um país de velhos. E como o país é, se calhar ainda se vai a ver que são só as eleições que não são para velhos. Ou a democracia.
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