January 24th, 2011

rosas

os 39 degraus

Fui no Sábado ver Os 39 Degraus, pela mesma companhia, e creio que o mesmo encenador, Cláudio Hochman, que há dois anos trouxeram a Coimbra a versão portuguesa de The Producers, o musical de Mel Brooks. Desta vez trata-se de outra adaptação cinematográfica, do famoso filme de Alfred Hitchcock, mas em versão comédia. Acho belíssima esta ideia de pôr os espectáculos a circular antes da estreia em Lisboa, à semelhança do que se faz noutros paises, nomeadamente em Inglaterra. Sobretudo, é claro, porque nos permite ver os espectáculos.

Achei a peça uma delícia, quase duas horas de bom entretenimento, tendo alguns momentos francamente cómicos. Claro que quem conhece bem o filme de Hitchcock é recompensado pois não faltam os cruzamentos e as referências ao filme, incluindo a aparição de Sir Alfred Himself, tal como acontece nos filmes do mestre. A total ausência de cenários é compensada por uma profusão de adereços, que têm de facto uma importância grande na economia narrativa do espectáculo. Os actores vão muito bem. Dizem-me que são habituées das novelas, e por isso não os conhecia, com excepção de um, Rui Melo, de quem me lembrava precisamente da montagem de Os Produtores, e que tem uma comédia muito eficaz, daqueles tipos que dá gozo só vê-los trabalhar, independentemente da peça. Como não o conhecia e não tinha referências nenhumas, andei à procura na net, e descobri que entrava na Floribella! É engraçado como esta vaga de ficção televisiva, que gera produtos absolutamente desprezíveis do ponto de vista de valor cultural, têm o efeito benéfico de criarem massa crítica para a indústria da cultura em geral. Antes isso.