December 25th, 2010

rosas

the killing fields (not the movie)

A surpresa deste dia de Natal foi chegar ao computador e não conseguir escrever direito os sinais de acentuação: til, apostrofo, acento grave e agudo. Sai assim: n~~ao, h´´elice, ap´´ostrofo! Se alguém souber porque e’ que isto se passa, a gerência agradece, mas inclino-me para uma doença tipo virose (a razão porque nalguns casos aparece bem escrito, deve-se exclusivamente ao corrector automático do Word). Ah, e aparece sempre que uso as teclas, seja no processador de texto seja em ambiente Web.

Esta dificuldade com o teclado do computador irritou-me logo de manhã. Queria escrever um texto mas quando comecei saiu tudo mal. Perdi logo a inspiração. Tinha passado boa parte da manhã a ler, e um trecho da leitura pôs-me a pensar: um fotógrafo de guerra acompanha um sniper num telhado de Sarajevo, que atira indiscriminadamente sobre quem calha passar na rua. O fotografo quer saber como e’ que o sniper escolhe as suas vitimas, se e’ ao acaso. O homem responde-lhe que o acaso não tem nada a ver com a situação, a cabeça dele e’ que decide, por uma razão qualquer bem determinada, quais são as pessoas sobre quem dispara. E dá-lhe dois exemplos: há pouco teve na mira uma rapariguinha mas no momento em que ia disparar reparou que a rapariga era parecida com a sua própria sobrinha, e então desviou a arma e disparou sobre uma mulher que estava ‘a janela, e que podia ter assistido 'a morte da rapariga. O outro exemplo: nessa manhã, ou na manhã anterior, tinha tido sob a mira o próprio fotógrafo quando se deslocava num automóvel com a sinalização de pertencer 'a imprensa, mas por qualquer razão decidiu não disparar.

Pus-me a pensar que se algum dia por algum acaso eu, enquanto cidadão perfeitamente anónimo, estivesse na mira de um sniper, e ao contrario do que aconteceu com o fotógrafo, ele não me pouparia e prosseguiria com a decisão de disparar. Se o mundo se dividisse em duas partes, a das pessoas que de alguma maneira levam um sniper a alterar a decisão momentânea de disparar, e as outras sobre quem o sniper dispararia sem qualquer hesitação, eu sem duvida nenhuma, estaria no grupo destas últimas.

Claro que agora com o teclado do meu computador assim, o que me apetecia mesmo era estar eu na posição do sniper.