?

Log in

No account? Create an account

aconchegos
rosas
innersmile
Hoje tive um almoço de Natal de empresa. Yeah, right. A questão é que não foi do meu actual trabalho, mas da secção da instituição onde deixei de trabalhar já vai a caminho de quatro anos. Há pessoas com quem trabalhei que me continuam a telefonar frequentemente para discutirmos assuntos de serviço, apesar de terem, é claro, um director de serviço. E o inverso também é verdadeiro, telefono muitas vezes a pessoas com quem trabalhei (ou seja, que foram meus subordinados, digamos assim, to get a clear picture) quando tenho dúvidas. E todos os anos têm-me telefonado a perguntar se eu quero ir ao almoço de natal. Sou o único dos antigos directores de serviço a ir ao almoço de Natal. Suponho que o meu colega que é o actual director de serviço não ache muita graça ao facto de todos os anos me convidarem para o almoço de Natal. Eu, que não sou boa pessoa, sei que ficaria lixado de ciúmes se os meus actuais funcionários convidassem o antigo director de serviço para os almoços de Natal.

Hoje emocionei-me porque de repente dei-me conta de que estava no almoço com muito prazer e a divertir-me muito. Quer dizer, estava a divertir-me só por estar ali com aquelas pessoas. Tenho conseguido manter-me imune à melancolia natalícia, mas hoje sucumbi. Gosto muito de trabalhar onde estou a trabalhar, tenho uma óptima relação de trabalho com os meus colegas, na realidade somos mais amigos do que colegas, mas acho que nunca voltarei a ter colaboradores, ou seja, pessoal que trabalha comigo, meus subordinados, como estes do meu antigo serviço. Acho que nunca voltarei a sentir a amizade e o respeito que sempre senti da parte destas pessoas, e duvido que volte a sentir a confiança e a segurança que sentia com estas pessoas. Apeteceu-me, com muita força, voltar a passar os dias com eles. Só isso.

Quando mudei de emprego, há quase quatro anos, o que mais me custou foi a sensação de que estava a abandonar um grupo de pessoas, e entre elas duas ou três em particular. Que, nestes tempos tão conturbados e incertos, sobretudo em organizações muito sujeitas às contingências dos contextos políticos, sociais, mediáticos, corporativos, eu de alguma forma dava confiança às pessoas, que elas sabiam que, mesmo quando tínhamos de ceder, eu estava com elas, e era por elas. Hoje, ao sentir saudades de estar entre amigos, esse abandono soube-me quase a traição.


E como hoje foi dia de texto intimista, para variar das entradas secantes sobre livros e filmes e o caraças, e como estou aqui a sentir-me com a casca mole, aproveito para desejar a todos os amigos e leitores do innersmile um NATAL FELIZ e aconchegado.